Prefeituras do RS restringem transporte público por falta de diesel
22/03/2026, 12:00:18
Mudanças no Transporte Público no Rio Grande do Sul
Alegando preservar os estoques de combustíveis, as prefeituras das cidades gaúchas reduziram a frota e frequência dos ônibus e alteraram os horários do transporte público coletivo no Rio Grande do Sul. As mudanças foram feitas principalmente aos finais de semana, quando há redução do fluxo de passageiros.
Entidades do setor de combustíveis divulgaram uma nota conjunta pedindo novas medidas ao governo federal para reduzir o risco de desabastecimento no país. O documento foi protocolado nesta sexta-feira (20), mas até o momento não há falta de diesel, segundo o governo.
As prefeituras se basearam no levantamento preliminar da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), que apontou que pelo menos 142 cidades já enfrentam problemas de abastecimento. A pesquisa equivale a 45% das 315 prefeituras que responderam a um questionário da entidade. Segundo a Famurs, gestores municipais estão priorizando a utilização do combustível para serviços de saúde, como o transporte de pacientes, enquanto obras que dependem de maquinário começam a ser suspensas.
"Essa situação tende a se agravar se nenhuma medida de garantia do abastecimento for tomada. Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades", destaca a presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira.
Quais as cidades que alteraram o transporte público coletivo?
- Rio Grande: a empresa Transpessoal, com autorização da prefeitura, reduziu desde 10 de março os horários de ônibus em períodos de menor movimento para preservar o estoque. Linhas com intervalos de 10 a 15 minutos podem passar a ter ônibus a cada 20 a 25 minutos.
- São Leopoldo: o transporte chegou a ser interrompido no domingo (15) e funcionou apenas em horários de pico no sábado (14). O Consórcio Operacional Leopoldense informou que a circulação foi normalizada nesta semana, mas a situação segue sendo monitorada.
- Novo Hamburgo: a Viação Santa Clara (VISAC) implementa, a partir deste sábado (21), uma readequação nos horários de 29 das 93 linhas aos sábados e domingos. As mudanças se concentram nos horários de entrepico.
- Bento Gonçalves: terá a operação do transporte coletivo suspensa aos domingos (22 e 29 de março). Aos sábados (21 e 28), os ônibus circularão apenas das 5h45 às 13h.
Posicionamento das autoridades do ramo
O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis afirma que não existe falta de combustíveis no estado, e sim, uma distribuição limitada de diesel, já que as distribuidoras estão enviando o produto aos postos de forma racionada, podendo dar a sensação de escassez.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis diz que segue acompanhando a situação, mas que até agora não encontrou sinais de falta de combustível em nível nacional.
Já a Petrobras esclareceu que não atua na distribuição desde 2021 e que o preço que define é apenas uma parte do valor final pago pelo consumidor.
Tensão global impacta os preços
O cenário atual tem relação direta com conflitos no Oriente Médio. Um dos principais pontos afetados é o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. Com o fechamento dessa rota, o preço do barril disparou, indo de US$ 60 (R$ 310 na cotação atual) para US$ 115 (R$ 600 na cotação atual), o que acaba pressionando os custos também no Brasil.
O governo federal brasileiro tenta conter a alta dos preços, mas enfrenta dificuldades. Uma proposta de zerar o ICMS sobre a importação de diesel, com compensação para os estados, foi rejeitada pelos governadores.
Na tentativa de aliviar a situação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou recentemente a isenção de impostos federais e a concessão de uma ajuda financeira (subvenção) para produtores e importadores de diesel.
