Haddad apoia Alckmin como vice de Lula nas eleições

Haddad apoia Alckmin como vice de Lula nas eleições

Haddad destaca papel de Alckmin e critica Tarcísio

Em seu primeiro dia fora do Ministério da Fazenda, o ex-ministro Fernando Haddad, agora pré-candidato ao Governo de São Paulo, projetou uma campanha muito parecida com a de 2022. Ele defendeu que Geraldo Alckmin (PSB) deve permanecer como vice de Lula (PT) nas próximas eleições e fez uma crítica ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que ele ainda não tem familiaridade com o estado.

Na manhã desta sexta-feira (20), Haddad concedeu uma entrevista coletiva a jornalistas em um hotel no centro da capital paulista. Durante a conversa, ele destacou que se reunirá com quadros políticos de São Paulo para discutir as estratégias para as eleições de 2026. Além disso, ele manifestou a intenção de buscar especialistas para desenvolver um plano de governo o mais cedo possível.

"Eu tenho obsessão com o plano. Não gosto de assumir nenhuma função sem apresentar um plano consistente para o estado", declarou Haddad.

Embora tenha evitado entrar em detalhes sobre o perfil que busca para um vice, ele considera "natural" que Alckmin permaneça na vice de Lula. No dia anterior, o presidente Lula afirmou que a vaga estava aberta para Alckmin, mas que ele poderia optar por disputar uma vaga no Senado.

Haddad mencionou: "Eu sou a pessoa mais entusiasta do fato de que os dois compõem uma chapa muito importante para o Brasil. Agora, nós vamos ver como as coisas estão decantando, vamos ver como é que terminam as conversas com todos os setores da sociedade. Quero ouvir a opinião do governador Alckmin, quatro vezes governador do estado de São Paulo, sobre as nossas chances aqui e qual é a melhor composição para lograrmos êxito na eleição".

O petista ainda ressaltou a importância da aliança de Alckmin na campanha de Lula em 2022 e observou que, de certa forma, a disputa atual será muito semelhante à do último pleito - Haddad terá Tarcísio como adversário novamente.

"Nós vamos fazer uma campanha parecida com 2022 aqui em São Paulo. Se Lula foi o candidato a presidente, eu fui candidato a governador. E nós nos entendemos muito bem. Agora muda um pouco a situação porque ele é presidente da República. Não sei se ele vai estar com escritório em São Paulo como teve em 2022, porque o QG [da campanha] era em São Paulo. Provavelmente, a campanha vai ficar mais centrada em Brasília até por questão logística. Mas eu não vejo razão para ser muito diferente da [campanha] de 2022", explicou Haddad.

Resistindo por meses à ideia de se candidatar ao Governo de São Paulo, Haddad afirmou que não se considera alguém que partiu para o sacrifício. "Uma pessoa que fez a campanha de 2016, a campanha de 2018, a campanha de 2022, você vai colocar em dúvida a disposição de luta dessa pessoa?", questionou.

Em seguida, ele fez referência à demora de Tarcísio em decidir se seria candidato por São Paulo, ressaltando que o governador, sendo carioca, ainda não se familiarizou com o estado. Haddad não hesitou em alfinetar o adversário, dizendo que Tarcísio ainda não é parte integrante da vida paulista.

"Outro dia eu vi alguém do Tarcísio falar 'como é que vocês vão votar em uma senadora forasteira', se referindo a Simone Tebet. Ela tem muito mais raízes em São Paulo, infinitamente, do que o Tarcísio. Tem duas filhas que moram há anos em São Paulo, vem toda semana," completou Haddad.

Na noite de quinta-feira, Lula confirmou que Simone Tebet, ministra do Planejamento, mudará seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo, visando sua candidatura ao Senado. Filiada ao MDB, que apoia Tarcísio em São Paulo, Tebet é vista como uma possível candidata pelo PSB.