Austrália e Japão descartam enviar navios ao Estreito de Ormuz
16/03/2026, 05:29:56Aliados dos Estados Unidos afirmaram que não planejam participar de uma operação naval na região, mesmo após pedido de Donald Trump. A passagem estratégica, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, permanece praticamente fechada em meio à escalada do conflito no Oriente Médio

A Austrália e o Japão informaram que não pretendem enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz, depois de o presidente dos Estados Unidos pedir apoio de países aliados para garantir a segurança da rota marítima estratégica.
“Não enviaremos nenhum navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos o quanto isso é extremamente importante, mas não é algo que nos tenha sido solicitado nem para o qual estejamos contribuindo”, afirmou a ministra australiana dos Transportes, Catherine King, em entrevista à emissora pública ABC.
O governo japonês também indicou que, neste momento, não prevê realizar uma operação de segurança marítima na região. “Diante da situação atual no Irã, não temos a intenção de ordenar uma operação de segurança marítima”, declarou o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, durante sessão no Parlamento.
O Irã já havia advertido que qualquer participação de outros países no conflito poderia ampliar ainda mais a guerra que tem elevado a tensão no Oriente Médio e provocado alta nos preços do petróleo.
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que uma operação de segurança marítima no estreito seria “extremamente difícil do ponto de vista jurídico”.
O envio das Forças de Autodefesa japonesas ao exterior continua sendo um tema politicamente sensível no país, que mantém uma postura oficialmente pacifista. Muitos eleitores ainda defendem os princípios da Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, que estabelece a renúncia do Japão à guerra.
Takayuki Kobayashi, responsável pela estratégia política do Partido Liberal Democrata (PLD), partido da primeira-ministra, declarou no domingo que o nível de exigência política para que Tóquio envie navios de guerra ao Golfo Pérsico é “extremamente elevado”.
Quarta maior economia do mundo, o Japão é o quinto maior importador global de petróleo. Cerca de 95% do petróleo consumido no país vem do Oriente Médio, e aproximadamente 70% desse volume passa pelo Estreito de Ormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito.
No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pediu a diversos países — incluindo aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — que enviem navios de guerra para o Estreito de Ormuz com o objetivo de manter aberta e segura a rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado diariamente no mundo.
O pedido ocorreu após o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, anunciar que a passagem permanecerá fechada.
“É apropriado que aqueles que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça ali”, disse Trump em entrevista ao jornal Financial Times, destacando que Europa e China dependem do petróleo do Golfo.
“Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”, acrescentou.
Em publicação na rede Truth Social, Trump também afirmou esperar que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países afetados pela restrição enviem navios para a região.
“Acredito que a China também deveria ajudar, porque obtém 90% do seu petróleo através do estreito”, escreveu.
O presidente norte-americano sugeriu ainda que gostaria de ver esse apoio antes de sua visita a Pequim. No entanto, também indicou que a viagem oficial à China, prevista para o final do mês, pode ser adiada, o que também adiaria o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping.
