A Atuação do BC no Escândalo do Banco Master
15/03/2026, 12:05:30
A Atuação do Banco Central no Escândalo do Banco Master
A despeito da rede de proteção ao Master parecer inexpugnável, o BC tinha meios para agir e impedir que a fraude chegasse ao valor que chegou.
Um mistério chama a atenção entre tantas dúvidas que se acumulam em torno dessa história do Banco Master. Qualquer pessoa que conheça minimamente o funcionamento do sistema financeiro no Brasil concordará: num sistema tão regulado como o brasileiro, como foi possível empilhar tanta falcatrua em um único CNPJ sem atrair a atenção e a fúria dos auditores do Banco Central? Como tantas irregularidades foram feitas, uma atrás da outra, sem que ninguém agisse a tempo para impedir que se tornassem tão robustas e prejudicassem tanta gente?
É secundário discutir se o problema do Master começou durante a passagem de Roberto Campos Neto pela presidência do Banco Central ou se já vinha desde o tempo de seu antecessor, Ilan Goldfajn. Os problemas de qualquer instituição devem ser cobrados, em última instância, de quem a comanda. Porém, uma traulitada como a do Master só alcança a força que alcançou caso conte com a participação de funcionários de diversos escalões que, no limite de suas atribuições, fechem os olhos para o que está acontecendo.
Ademais, além do Banco Central, a Receita Federal, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e outras agências conhecidas, mantidas à custa do contribuinte, também têm explicações a dar. Esses órgãos custam muito e, em momentos críticos, parecem incapazes de impedir que o dinheiro do cidadão desapareça sem deixar rastros.
Quando isso acontece, a consequência é um rombo enorme. No caso do Master, o valor deve ultrapassar R$ 50 bilhões. É um valor alto demais para ter sumido sob os olhos de tantas pessoas que são pagas para zelar por ele. O valor pode ser ainda maior, à medida que novas situações mal explicadas surgem. Um exemplo vem das operações suspeitas conduzidas por Vorcaro, que entre suas transações envolveu cotas de um fundo de investimentos chamado Hans2. Em dezembro de 2024, ele adquiriu cotas desse fundo por R$ 2,5 milhões e as vendeu no dia seguinte por R$ 294,5 milhões — uma valorização impressionante em 24 horas. Um caso impressionante que a Receita Federal já teria investigado, mas Vorcaro continuou operando como se não devesse explicações a ninguém.
O empresário Vorcaro já se encontra preso e estaria negociando um acordo de delação premiada. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal confirmou sua prisão preventiva, junto com seu cunhado e um ex-policial federal. O círculo próximo de auxiliares também envolveu o nome de Luiz Phillipi Mourão, que morreu sob circunstâncias suspeitas após “tentar suicídio” na carceragem da Polícia Federal.
No entanto, o que realmente chama a atenção é o aspecto da corrupção, e como ela se alastra entre as autoridades, com a distribuição de propinas a quase todos os escalões da administração pública. O que espanta é a ausência de casos de recusa diante de propostas indecentes. A impressão é que a lista de escândalos no Brasil não seria tão extensa se não contasse com a conivência de servidores públicos que devem impedir os malfeitos.
O Banco Central, autarquia que representa o ápice do funcionalismo público no Brasil, tem responsabilidade na fiscalização do sistema financeiro. Com diversos casos, surgem muitas perguntas sobre a ineficácia do órgão para conter irregularidades. As ferramentas e regras de monitoramento são bastante rigorosas, e é difícil entender como o BC falhou em sua função de evitar que um escândalo como o do Banco Master crescesse e atingisse dimensões alarmantes.
Por muito menos, os auditores e fiscais de órgãos como a CVM e a Receita Federal partem para cima de quem comete deslizes. Diante do escândalo de R$ 50 bilhões, são várias as hipóteses que surgem em relação à inação do Banco Central. Uma análise aponta a necessidade de cobrar mais eficiência da autoridade monetária em defesa dos interesses da sociedade.
