JHC lidera em Maceió, mas em Alagoas, a conversa é outra

Pesquisa do Instituto Falpe revela vantagem na região metropolitana de Maceió

JHC lidera em Maceió, mas em Alagoas, a conversa é outra

Fui surpreendido nesta segunda-feira (02) com a divulgação, por parte de alguns veículos de comunicação de Alagoas, de que o prefeito de Maceió, JHC, lidera a corrida pelo Governo do Estado, segundo levantamento do Instituto Falpe. A pesquisa realizada entre os dias 25/02 e 1/03 com 1.200 eleitores, margem de erro de 2,82 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, aponta JHC com 57% das intenções de voto na modalidade estimulada, contra 23,5% de Renan Filho. Na espontânea, os números variam entre 12% e 6%. No quesito rejeição, Renan Filho aparece com 21%, enquanto JHC soma 7%.

O espanto, no entanto, não está exatamente nos números, mas no recorte das notícias. Ao analisar as entrelinhas, observa-se que o levantamento foi realizado exclusivamente em Maceió e região metropolitana. Nesse contexto, é natural que o atual prefeito da capital apareça em vantagem, sobretudo por estar à frente da administração municipal e manter presença política na cidade. Trata-se de um cenário previsível quando o universo pesquisado concentra-se em sua principal base eleitoral.

Contudo, a disputa em questão é para o Governo de Alagoas, e qualquer pesquisa que pretenda retratar com fidelidade o quadro eleitoral precisa contemplar o interior do estado. Em cidades como Atalaia, por exemplo, Renan Filho aparece com 48% das intenções de voto, contra 28% de JHC. Já em Murici, terra natal do ministro, os números indicam ampla vantagem: 89% contra 8%. Esses dados ilustram como o cenário pode se alterar significativamente quando se amplia o campo de análise para além da capital.

Dois fatores pesam nesse tabuleiro: o fato de o MDB, legenda de Renan Filho, comandar mais de 80% das prefeituras alagoanas, e a indefinição de JHC quanto à candidatura. Até o momento, o prefeito não confirmou se disputará o governo ou permanecerá no cargo. Qualquer decisão implicará rompimentos e rearranjos políticos. Particularmente, aposto que JHC não será candidato. A pressão é grande, e quando o martelo for batido, o peso das consequências recairá sobre seus ombros — seja qual for o caminho escolhido.

Creditos: Professor Fábio Andrey