Câncer de pulmão e poluição em Maceió: 3% das mortes têm relação
23/02/2026, 12:01:01Impacto da Poluição na Saúde em Maceió
Um estudo científico liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estima que 28 mortes por câncer de pulmão em Maceió, na última década, estão associadas à poluição do ar. O número representa quase 3% de todos os óbitos pela doença na capital alagoana no período analisado.
Um estudo da Ufal, publicado na revista Atmosphere, quantificou a relação entre a poluição do ar e mortes por câncer de pulmão no Brasil. Nacionalmente, 9.631 óbitos por câncer de pulmão nas capitais brasileiras foram associados à exposição ao PM2.5, representando mais de 13% do total. Quase 97,41% das capitais brasileiras apresentaram níveis de PM2.5 acima do recomendado pela OMS, indicando exposição crônica da população.
O pesquisador Albery Batista de Almeida Neto destaca que a poluição do ar possui "compostos tóxicos que também podem comprometer o desenvolvimento e a progressão do tumor".
Resultados da Pesquisa
A pesquisa foi publicada na revista internacional Atmosphere e tem como primeiro autor Albery Batista de Almeida Neto, estudante de Medicina da Ufal. O trabalho foi orientado pelo professor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS).
O levantamento analisou dados de poluição atmosférica e mortalidade por câncer de pulmão entre 2014 e 2023 nas 27 capitais brasileiras, com foco no material particulado fino conhecido como PM2.5, poluente microscópico capaz de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea.
Ao g1, o pesquisador explicou que a poluição do ar pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Segundo ele, ainda não havia, em nível nacional, uma dimensão clara do quanto a poluição atmosférica pode impactar a mortalidade por câncer de pulmão. "Hoje, o tabagismo é, de fato, o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão e para a mortalidade relacionada à doença. No entanto, a poluição do ar apresenta uma série de compostos tóxicos que também podem comprometer o desenvolvimento e a progressão do tumor na região pulmonar", afirmou.
Mais de 9 mil mortes associadas no país
De acordo com o estudo, 9.631 mortes por câncer de pulmão nas capitais brasileiras, ao longo do período analisado, estão diretamente relacionadas à exposição prolongada ao PM2.5. Isso representa mais de 13% de todos os óbitos pela doença nessas cidades.
Os pesquisadores utilizaram uma metodologia desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para estimar o número de mortes atribuíveis à poluição do ar.
Os resultados mostram que praticamente todas as capitais apresentaram níveis médios de PM2.5 acima do recomendado pela OMS. Ao todo, 97,41% das médias anuais ultrapassaram o limite indicado pelo organismo internacional. Quase um terço das medições também superou o padrão brasileiro vigente, indicando exposição crônica da população urbana a níveis considerados prejudiciais.
Desafios na Região Nordeste
Embora o cenário nacional seja preocupante, os dados apontam que Maceió e outras capitais do Nordeste registraram taxas inferiores à média brasileira. “As taxas em Maceió e nas outras capitais do Nordeste são menores que a média nacional e refletem os menores níveis de poluição na região quando se compara às demais regiões do país”, destacou o professor Flavio Rodrigues.
Ainda assim, os pesquisadores alertam que mesmo níveis considerados mais baixos podem impactar a saúde pública ao longo do tempo. Portanto, é fundamental que a população e as autoridades fiquem atentas a esses dados alarmantes sobre a poluição do ar e suas consequências para a saúde.