Janja e o poder da portaria no Planalto

Janja e o poder da portaria no Planalto

Episódio reacende debate sobre protagonismo da primeira-dama e poder informal no entorno do Planalto

Está errado quem achou que a polêmica do carnaval tinha sido só na campanha em forma de samba. Teve polêmica no camarote também.
Segundo a Mônica Bergamo, a Janja impediu que a filha mais velha do Lula, Lurian, ficasse na sala reservada do presidente.
Uma filha querendo conversar com o pai e a Janja disse: \"aqui não é lugar para isso.\"
Tá certo! Beijar e abraçar, tudo bem. Agora conversar já é intimidade demais.
Você pode pensar: se parente não pode, então ministro tá liberado, certo? Errado. Ministro também não. Era só a Janja, Geraldo Alckmin e a esposa dele.
Que companhia, hein? Coitado do Lula. Ele deve ter visto o Bolsonaro representado no desfile e deve ter ficado com inveja. Estar com esse pessoal é pior do que estar sozinho soluçando numa cela.
Já o secretário-executivo da pasta, Márcio Tavares dos Santos, amigo pessoal da Janja, circulava livremente. Claro, alguém precisava ajudar a Janja a proteger o pai de uma filha.
A Janja é graduada em Ciências Sociais. Ela apoia a participação popular. Mas participação familiar já é populismo demais.
Não é a primeira vez que a primeira-dama toma a dianteira. Ela já desmentiu o Lula no caso da reunião com o Xi Jinping. Lula tem maioria no Congresso. Agora, no próprio entorno, nem sempre.
Dá pra perceber que o Lula tem mais influência no Congresso do que na própria agenda social. No desfile, Lula era o protagonista. Já no camarote, parecia figurante.
O cara conseguiu sair de operador de máquinas pra presidente. E agora quase pede autorização pra conversar com a filha. Ou seja, a Janja é mais difícil que um torno mecânico.
O governo defende diálogo amplo e inclusão. Mas, no camarote, quem tem credencial entra. Quem não tem, aguarda no lounge da democracia, mesmo que seja parente.