Ex-ministros de Bolsonaro pedem voto a Flávio em vídeo polêmico

Ex-ministros de Bolsonaro pedem voto a Flávio em vídeo polêmico

Vídeo com pedido de voto e repercussão

Ex-ministros do governo Bolsonaro, Gilson Machado e Marcelo Queiroga, divulgaram nas redes sociais, na última terça-feira (17), um vídeo onde pedem votos para Flávio Bolsonaro. O conteúdo gerou uma onda de comentários entre especialistas, que veem indícios de propaganda eleitoral antecipada.

No vídeo, Machado declara: "a gente tem que correr atrás da eleição de Flávio Bolsonaro no Nordeste neste ano". Em seguida, Queiroga se dirige diretamente ao público: "Agora, em 2026, olha, você que é admirador de Jair Bolsonaro, você vota no Flávio Bolsonaro".

Legislação eleitoral e possíveis consequências

Segundo a legislação, as campanhas eleitorais têm seu início oficial após o dia 15 de agosto. Assim, qualquer manifestação ou divulgação com o intuito de pedir votos antes dessa data é considerada irregular, podendo acarretar multas que variam de R$ 5.000 a R$ 25.000, ou até mesmo o valor correspondente à veiculação da propaganda, se este for superior.

Defesa dos ex-ministros

EmComentários à Folha, Queiroga defendeu seus atos, argumentando que não se tratou de propaganda eleitoral antecipada, mas sim de uma “manifestação de opinião política em um contexto geral”. Ele reiterou que não houve pedido explícito de voto, nem referências a cargos ou períodos eleitorais.

Ele afirmou: "[T]enho o direito constitucional de expressar posições e preferências no debate público, o que é plenamente legítimo em uma democracia", e completou que "não houve campanha formal, solicitação direta de voto ou qualquer estrutura típica de propaganda eleitoral". Contudo, esse argumento é contestado por especialistas.

Análise de especialistas

O ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marcelo Ribeiro, afirmou que é patente o caráter de propaganda eleitoral antecipada do vídeo, notando que, mesmo sem referência explícita ao cargo, a intenção é clara, uma vez que Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência: "Isso é público e notório".

O advogado e professor Delosmar Mendonça Junior, da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político), corroborou com a visão de Ribeiro, declarando que a fala pode ser considerada uma tentativa de antecipação de campanha: "Há pedido direto, com menção à candidatura e motivação para o eleitor".

Reações no cenário político

A divulgação do vídeo ocorreu apenas dois dias após um post de Machado afixando um adesivo em uma moto, com os dizeres: "O Nordeste está com Flávio Bolsonaro 2026". Essa postagem gerou uma reação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que acionou o TSE, alegando que os ex-ministros estão praticando propaganda eleitoral antecipada.

Farias ressaltou que o conteúdo contém elementos típicos de campanha, como a identificação do beneficiário e uma mensagem explícita de apoio eleitoral, configurando assim uma tentativa de influenciar o eleitorado de forma indevida.

A representação pede não apenas a retirada do conteúdo, mas também a aplicação de multas, além de encaminhamento do caso ao Ministério Público Eleitoral, que apuraria eventuais abusos de poder político e uso indevido de meios de comunicação.

Importância da Justiça Eleitoral

Farias concluiu afirmando: "É fundamental que a Justiça Eleitoral atue para garantir o respeito ao calendário eleitoral e preservar a legitimidade das eleições, impedindo que candidaturas sejam promovidas antecipadamente em desacordo com a legislação vigente".

Resposta de Machado

Em resposta à representação apresentada pelo deputado, Machado fez um post em suas redes afirmando que a ação do PT é uma "cortina de fumaça" para desviar a atenção do desfile pró-Lula (PT) realizado no domingo (15) na Acadêmicos de Niterói.

Ainda segundo a Folha, o desfile em honra ao presidente pode abrir brecha para futuras condenações eleitorais. De modo a enfatizar a seriedade do contexto, o partido Novo já anunciou sua intenção de ajuizar uma ação em busca da inelegibilidade de Lula.