As datas de convenções partidárias são dos partidos. Já as predefinições de candidatos são mais livres.
10/02/2026, 16:55:11A vitória de JHC pode se complicar - azedar - justamente dentro dos "aliados".
As datas das convenções partidárias para a apresentação formal dos candidatos a presidente, senadores, deputados federais, governadores e deputados estaduais tendem a convergir para o dia 04 de abril deste ano.
Entretanto, as escolhas dos senhores candidatos, ainda que oficialmente formalizadas apenas nessa data, ocorrem bem antes, embaladas pelas especulações da imprensa, pelas conversas de bastidores e até pelas bolsas de apostas espalhadas pela capital e pelo interior.
Por exemplo: o candidato governista ao governo do Estado será Renan Filho, salvo mudança drástica no cenário, decisão que repousa nas mãos do triunvirato formado por Renan Calheiros, Marcelo Victor e Paulo Dantas — RC, MV e PD — ou, na ordem interna de forças, MV, RC e PD, uma composição que, em tese, é imutável. Ressalte-se que, desse grupo, a chapa majoritária já existe e com sobras.
Do lado da oposição, desde ontem, o nome apontado para disputar o governo é JHC, com o “andar de baixo” em chamas. A composição de vice, a escolha dos senadores — formando a chamada Carruagem de Fogo — e a montagem das chapas proporcionais para deputado federal e estadual enfrentam enormes dificuldades para se tornarem competitivas. É o estilo pitu do São Francisco: cabeça enorme e corpo pequeno.
JHC terá muito mais trabalho para manter dois nomes fortes ao Senado da República — e, ao mesmo tempo, acalmar Alfredo Gaspar, Arthur Lira e Davi Davino — do que enfrenta hoje o triunvirato governista. Por lá, Calheiros, Marcelo Victor e Paulo Dantas, se muito, terão de administrar apenas o temperamento de Ronaldo Lessa: ora revoltado, ora convalescente, ora pronto para o octógono, sempre na condição de solitário.
Como não estamos mais no tempo do voto camarão, ainda que o pitu seja um prato saboroso, há o risco de que a sobremesa provoque mal-estar depois do almoço.
Em política, vence quem melhor se organiza nas eleições proporcionais.
João Lira é o exemplo perfeito de uma vitória antecipada que termina em derrota nas urnas.