As ironias da Força do “Poder” contra a Força do Destino: Collor preso recebe e gasta 2,27 milhões de reais

Ainda que se compqarado com atual mundo dos corruptos Collor venha a um pinto nos números, para a sua epoca milhôes de Dólares bem que contava.

As ironias da Força do “Poder” contra a Força do Destino: Collor preso recebe e gasta 2,27 milhões de reais

A prisão domiciliar de Fernando Collor expõe, com crueza quase literária, as ironias da Força do Poder em choque com a Força do Destino. O homem que já ocupou o topo da República, cercado de canetas que assinavam decretos e de aplausos fabricados pelo poder, hoje conhece o peso simbólico das grades — ainda que douradas pela história e pelo dinheiro.

O contraste salta aos olhos: mesmo preso, Collor recebeu e gastou cerca de R$ 2,27 milhões. O dado escancara uma contradição difícil de digerir para o cidadão comum. Enquanto milhões de brasileiros associam a prisão à perda quase total de renda e dignidade material, o ex-presidente transita entre a punição formal e o conforto financeiro permitido por privilégios acumulados ao longo da vida pública. Nem mesmo o seu advogado ganha isso.

É aí que mora a ironia maior. A Força do Poder, que por anos desafiou investigações, sobreviveu a escândalos e se reinventou politicamente, acaba derrotada não por adversários, mas pela própria engrenagem institucional que um dia controlou. Já a Força do Destino atua em silêncio, lembrando que cargos passam, mandatos expiram e a história cobra sua fatura — ainda que tarde.

Collor preso não é apenas um fato jurídico; é um símbolo. Um retrato de um Brasil onde o poder nunca se desfaz por completo, mas também nunca é eterno. Entre cifras milionárias e celas formais, o país assiste a mais um capítulo em que a justiça chega devagar, seletiva, porém carregada de ironia.

Creditos: Professor Raul Rodrigues