Arquivos de Epstein revelam ligações com Gates, Musk e Trump
04/02/2026, 09:00:52Arquivos de Epstein e suas implicações
Documentos investigativos recentemente tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, relacionados aos crimes sexuais cometidos por Jeffrey Epstein, mencionam a suposta participação de outras personalidades conhecidas. Entre os nomes que aparecem nos registros estão Bill Gates, Elon Musk e Donald Trump.
Bill Gates
De acordo com as investigações, e-mails atribuídos a uma conta que teria pertencido a Jeffrey Epstein sugerem que o cofundador da Microsoft, Bill Gates, teria tentado ocultar de sua então esposa, Melinda French Gates, uma infecção sexualmente transmissível supostamente contraída após relações sexuais com garotas russas. Em outra mensagem, Epstein afirma ter ajudado o empresário a obter drogas para lidar com as consequências desses encontros e também para facilitar reuniões ilícitas com mulheres casadas. Segundo o jornal britânico Financial Times, o porta-voz de Gates negou as acusações. Ele classificou o conteúdo como “absolutamente absurdas e completamente falsas”. “A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e até onde ele chegaria para armar uma cilada e difamá-lo”, acrescentou.
Elon Musk
Elon Musk também aparece citado nos arquivos. E-mails incluídos nos documentos mostram trocas de mensagens entre o empresário e Epstein em dois momentos distintos, em 2012 e 2013, discutindo uma possível visita de Musk à ilha Little St. James, propriedade de Epstein. No entanto, as mensagens indicam que a viagem não teria ocorrido devido a problemas logísticos. “Estarei na região das Ilhas Virgens Britânicas/St. Barth durante as férias. Existe uma boa época para visitar?” escreveu Musk em 13 de dezembro de 2013. Epstein respondeu: “Qualquer dia entre o dia 1 e o dia 8. Se quiser, pode decidir na hora. Sempre há espaço para você”. Na sequência, Musk teria enviado novos e-mails detalhando sua agenda, e os dois chegaram a mencionar o dia 2 de janeiro como possível data. A troca termina com Epstein informando que precisaria permanecer em Nova York e lamentando que o encontro não pudesse acontecer. Musk tem sido publicamente crítico de pessoas associadas a Epstein e já declarou que Epstein “tentou repetidamente me convencer a visitar sua ilha. Eu recusei”. As mensagens divulgadas, porém, mostram que houve ao menos conversas sobre a possibilidade da visita, ainda que não haja confirmação de que ela tenha ocorrido.
Duque
Os arquivos divulgados também apontam para uma suposta troca de mensagens entre Jeffrey Epstein e uma pessoa identificada como “O Duque”, que seria Andrew Mountbatten-Windsor, o Duque de York. De acordo com os registros, há referências a conversas sobre um jantar no Palácio de Buckingham que, segundo a correspondência, ocorreria em um ambiente com “muita privacidade”. Em outra mensagem atribuída a Epstein, aparece a oferta de apresentar “O Duque” a uma mulher russa de 26 anos. Os e-mails estariam assinados com a inicial “A” e trariam uma assinatura que parece indicar “Sua Alteza Real Duque de York KG”. As trocas teriam ocorrido em agosto de 2010, dois anos após Epstein ter se declarado culpado por aliciamento de uma menor. Entre os materiais divulgados mais recentemente, também consta uma imagem que aparenta mostrar o ex-príncipe ajoelhado ao lado de uma mulher deitada no chão. As circunstâncias da foto, porém, não são detalhados nos próprios documentos tornados públicos.
Donald Trump
O nome de Donald Trump também aparece repetidamente nos arquivos relacionados a Epstein. O presidente dos Estados Unidos já afirmou que sua relação com o financista terminou há muitos anos e que não tinha conhecimento dos crimes sexuais cometidos por ele. Parte do material reunido pelo FBI inclui denúncias feitas por pessoas que entraram em contato com a linha direta do Centro Nacional de Operações contra Ameaças. Entre os registros, há diversas alegações de abuso sexual envolvendo Trump, Epstein e outras figuras públicas. Trump sempre negou qualquer irregularidade ligada a Epstein e não foi formalmente acusado de crimes pelas vítimas do financista. O Departamento de Justiça dos EUA declarou: “Alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump, que foram enviadas ao FBI pouco antes da eleição de 2020”. A chamada Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada por Trump em 19 de novembro, determinou que os documentos relacionados a Epstein sob posse do Departamento de Justiça fossem divulgados até 19 de dezembro.