O troca-troca de prefeituras por governos dos estados

No Rio de Janeiro Eduardo Paes, em Maceió JHC, e assim segue a carruagem de fogo. Quem sabe mandato de seis para todos.

O troca-troca de prefeituras por governos dos estados

O troca-troca de prefeituras por governos dos estados virou prática recorrente no tabuleiro político brasileiro — e nem sempre pelo bem público. Prefeitos eleitos para cuidar das cidades passam a enxergar o mandato como trampolim, para virarem governadores o que é bem diferente.

A lógica é simples e preocupante: usa-se a máquina municipal para ganhar visibilidade, constrói-se discurso de vítima ou de “gestor eficiente” e, no meio do caminho, a cidade fica em segundo plano. A cidade fica do jeito que tiver.

O eleitor, que confiou um mandato com prazo e responsabilidades claras, raramente é consultado nesse processo. O voto vira detalhe; o projeto coletivo, descartável. A troca é como se fosse troca de camisa.

Esse movimento também revela fragilidade partidária. Ausência de novas lideranças por certo por tanta submissão dos parlamentares mirins. Os vereadores. 

No fim, perde a democracia local. Prefeituras esvaziadas, cidades à deriva e cidadãos cada vez mais descrentes. Governar deveria ser compromisso até o último dia de mandato — não uma etapa descartável no currículo político.