Brasil: onde para ser ministro tem que perder o escrúpulo
27/01/2026, 02:52:27Frase de Ricúpero continua em voga.
No Brasil, a chegada ao cargo de ministro raramente simboliza o auge da competência técnica ou da trajetória ética. Cada vez mais, parece

representar a vitória da conveniência política sobre o escrúpulo. Não se trata de generalizar indivíduos, mas de reconhecer um sistema que normaliza o silêncio cúmplice, o recuo moral e a flexibilidade de princípios como pré-requisitos para permanecer no poder.
Ministros que deveriam ser guardiões do interesse público acabam reféns de acordos de bastidores, partidos famintos por cargos e alianças que exigem fidelidade cega, não à Constituição, mas ao jogo político. O preço da cadeira ministerial, muitas vezes, é fechar os olhos para injustiças, tolerar irregularidades e justificar o injustificável em nome da “governabilidade”.
Nesse ambiente, o escrúpulo passa a ser tratado como obstáculo, e não como virtude. Quem insiste em manter coerência, independência ou senso crítico logo é isolado, substituído ou engolido pela máquina. O resultado é um Estado fragilizado, onde a ética vira discurso e a prática segue outro roteiro.
Enquanto cargos continuarem sendo moeda de troca e não missão pública, o Brasil seguirá confundindo liderança com submissão moral. E a pergunta que fica não é quem pode ser ministro, mas quem ainda consegue sê-lo sem perder a própria consciência.