Cores dos Animais e Seu Nível de Perigo

Cores dos Animais e Seu Nível de Perigo

Cores dos Animais e Seu Nível de Perigo


Especialista explica como a coloração pode sinalizar riscos e como reagir ao encontrar espécies consideradas de potencial ameaça ao ser humano.

Na natureza, as cores dos animais têm papéis importantes, elas podem servir tanto como camuflagem, como um aviso de perigo. Muitas vezes, cores vibrantes ou padrões específicos são usados como sinalização de que aqueles animais são venenosos, agressivos ou perigosos. Esse mecanismo ajuda a manter predadores longe.
No entanto, em alguns casos, a associação entre a cor e níveis de risco pode ser enganosa. Afinal, o comportamento de cada espécie pode variar, mesmo dentro de um grupo com características visuais semelhantes.

Cores podem sinalizar perigo, mas nem sempre


A especialista explica que em muitas espécies a coloração realmente pode ser um indicativo de perigo. Esse fenômeno é chamado de aposematismo, um mecanismo de defesa em que o animal usa cores ou sinais chamativos para alertar predadores sobre sua toxicidade ou gosto desagradável. Entretanto, ela afirma que essa não é uma regra universal. “Em vários grupos animais, a cor não tem relação direta com o risco, o que faz com que algumas crenças populares simplifiquem demais fenômenos biológicos complexos”.

Patrícia ressalta que os padrões de cores presentes em alguns animais funcionam como alerta quando fazem parte da estratégia evolutiva do animal, a exemplo de sapos venenosos e insetos tóxicos. Porém, podem enganar quando espécies inofensivas passam a imitar as perigosas, fenômeno chamado mimetismo. “A cor ajuda, mas nem sempre conta a história completa”, pontua.

Dessa forma, a complexidade entre a relação entre cor e perigo vai além de simples sinais visuais. Para entender melhor como reagir a alguns animais que são considerados perigosos e que são encontrados na natureza com diferentes cores e características, como os ursos, as cobras, os escorpiões e os tubarões, o Portal iG questionou a especialista sobre o que fazer em possíveis encontros com cada um desses animais.

Ursos


No caso dos ursos, existe um ditado americano que diz: "if it's brown, lay down, if it's black fight back, if it's white goodnight", na tradução literal seria algo como “se for marrom, deite; se for preto, reaja; se for branco, adeus”. Esse dito sugere que os animais por terem cores diferentes apresentam comportamentos distintos. Ao ser questionada sobre a veracidade, a bióloga esclarece que “o ditado mistura informações reais com simplificações”.
Ela ainda afirma que existem diferenças reais entre as espécies, como o urso-pardo ser mais defensivo; o urso-negro, que geralmente evita confronto; e o urso-polar ser um predador ativo. Mas isso não significa que a cor deva orientar a reação. Como alerta sobre como reagir diante de um eventual encontro com o animal, ela orienta: “O mais importante é não reagir com base na cor, e sim no comportamento. A recomendação é sempre manter distância, não correr e seguir os protocolos específicos de segurança locais”.

Cobras


No Brasil existem mais de 400 espécies de cobras, cada uma tem suas características, mas muitas possuem padrões de cor semelhantes, inclusive espécies peçonhentas e não peçonhentas, como as corais verdadeiras e falsas. Para a bióloga, a regra é clara: “O público não deve tentar identificar risco apenas pela cor ou padrão, porque muitas espécies peçonhentas têm imitadoras inofensivas”. O recomendado é manter distância, não tentar capturar e acionar a vigilância ambiental ou o Corpo de Bombeiros caso o animal esteja em área de convivência humana.

Escorpiões


Já para os cuidados quanto aos escorpiões, a especialista afirma que a cor não é um indicador confiável de toxicidade. Ela explica que a espécie mais perigosa no Brasil, o Tityus serrulatus, é amarelada, mas outras espécies claras são menos tóxicas. A melhor forma de prevenção envolve ambientes limpos, cuidado ao manusear objetos guardados, uso de luvas e evitar acúmulos de entulho e não só depender da cor. Segundo Patrícia, ações que podem ajudar a evitar o encontro com o animal são:
  • Manter ambientes limpos
  • Evitar acúmulos de lixo e entulho
  • Usar luvas ao manusear objetos guardados
  • Não depender da cor para reconhecer perigo

Tubarões


No ambiente marinho, tubarões de diferentes espécies e cores têm tipos diferentes de agressividade. Patrícia explica que em relação a esses animais, o fator mais importante é o contexto da situação. “O comportamento do animal, visibilidade da água, presença de presas e atividades humanas influenciam muito mais do que a aparência ou cor da espécie”. Ela ainda aconselha, em eventuais encontros o importante é “observar o ambiente, evitar áreas de pesca e respeitar orientações de salva vidas”.

Recomendações gerais de segurança


Perguntada sobre as recomendações gerais no caso de encontro com esses e outros animais, a bióloga aconselha:
  • Mantenha distância
  • Nunca toque, persiga ou tente alimentar
  • Observe o comportamento do animal
  • Evite movimentos bruscos
  • Respeite o espaço do animal
  • Siga orientações de autoridades ambientais

Ela ainda diz: “A cor pode ser bonita, chamativa ou assustadora, mas ela raramente é um guia totalmente seguro para medir risco”.