Em sua 142ª Edição - Festa do Bom Jesus dos Navegantes tem sua história

Nem sempre a programação agrada de maneira geral. Entretanto, com os altos cahês das estrelas do momento, faz-se o que se pode agradando a grande parte da população.

Em sua 142ª Edição - Festa do Bom Jesus dos Navegantes tem sua história

Assim começou a festa: até 1914, a procissão saía da Igreja do Convento de Nossa Senhora dos Anjos, em Penedo, com a imagem de Cristo Agonizante. No entanto, foi proibida exatamente por não se tratar apenas de um culto religioso, pois fiéis e não fiéis também aproveitavam o momento para se divertir com jogos e danças. A proibição, contudo, não impediu a continuidade da festa. Antônio José dos Santos, conhecido como Antônio Peixe-Boi, solicitou ao escultor de santos e anjos da cidade, Cesáryo Martires, que esculpisse a imagem do Bom Jesus dos Navegantes. Desde 1915, é ela que arrasta o povo para as procissões.

Nas últimas décadas — quase noventa anos — a histórica festa manteve seu caráter religioso, mas recebeu adendos em sua programação, algo que se apresenta como uma vertente natural, pois assim caminha a humanidade.

Nos idos das décadas de 1960 e 1970, o então prefeito Raimundo Marinho incorporou à festa o Festival de Cinema de Penedo, fazendo coincidir o encerramento deste com o domingo da procissão do Bom Jesus dos Navegantes. Tal iniciativa alavancou sobremaneira o número de visitantes à cidade, o que poderia ter sido o pontapé inicial para o desenvolvimento, ao menos, do setor hoteleiro local.

À época, em tempo algum, esse incremento à festa foi questionado. Razões para o silêncio existiam: Raimundo Marinho era dileto amigo da Igreja e, portanto, do clero não poderiam surgir críticas. Da população, então, menos ainda, pois se compreendia o quanto Penedo poderia crescer com o advento do Festival de Cinema incorporado à Festa do Bom Jesus.

Com o prefeito Tancredo Pereira, sucessor cronológico de Raimundo Marinho, o Festival de Cinema deixou de existir, sendo criado em seu lugar o Festival de Tradições Populares, que não alcançou o mesmo sucesso. O fato é que o Festival de Cinema foi para Gramado, no Rio Grande do Sul, e nós ficamos órfãos do festival, dos cinemas e de uma grande festa.

Com a chegada de outros prefeitos — José Alves, Dirson Albuquerque e Alexandre Toledo —, a festa do Bom Jesus foi declinando, chegando a ser superada por outras antes sequer comentadas em nossa cidade, como a de Pão de Açúcar, entre outras. Já com a chegada de Március Beltrão como gestor, a festa voltou a ganhar incremento e tornou-se quase uma obrigação para os prefeitos subsequentes promoverem um grande evento. No entanto, em sua segunda gestão, o próprio MB não realizou a festa por alegadas questões financeiras, mesmo tendo gasto cerca de R$ 3 milhões, o que causou incômodo aos penedenses.

É fato que não se pode agradar a gregos e troianos, mas também é fato que não se deve perder uma oportunidade de crescimento por meio de um evento, pois, mais cedo ou mais tarde, a própria população passa a criticar o gestor.

Há muito se fala na festa sob o dúbio sentido do “sagrado e do profano”, mas, no preâmbulo deste texto, vê-se que há cerca de um século e meio — nesta edição, a 142ª — o próprio povo já se dividia entre a fé e a diversão, incluindo jogos e danças. Portanto, quem hoje enxerga com olhar crítico o incremento de shows durante as comemorações do Bom Jesus dos Navegantes deveria escrever não sobre o papel, mas sobre os papiros.

Quanto à alegada descaracterização da festa, como pensam alguns, respeitamos tais opiniões. No entanto, é inegável que nunca se movimentou tanto dinheiro em Penedo quanto durante a festa nos moldes atuais, e jamais, em tempo algum, a cidade foi tão divulgada em todos os níveis. No fim de semana da festa ganham taxistas, restaurantes, ambulantes, hotéis, donos de ônibus, canoeiros, lancheiros — enfim, todos os que fazem Penedo e, obviamente, aqueles que fazem a festa acontecer. Isso incomoda, sim, a quem nunca fez ou a quem não está realizando um evento dessa magnitude, pois quem passou pelo governo e não o fez se arrepende, e quem não está fazendo gostaria de ter para si o mérito de realizá-lo.

Para encerrar este texto cronológico de afirmações concretas, vale ressaltar que a atual administração está promovendo um grande encontro de turistas e milhares de parentes de penedenses que moram fora, sem que isso comprometa salários de servidores, obras em andamento ou compromissos assumidos. Destaca-se ainda a grande evolução do turismo nas gestões Ronaldo Lopes — na verdade, a introdução do turismo como um novo aporte na geração de emprego e renda —, o que vem consolidando Penedo como cidade de vocação para a chamada indústria sem chaminé, em um cenário verdadeiramente nacional e internacional.

Tudo isso é fruto de competência na gestão. Aos críticos de plantão, fica a responsabilidade por suas próprias análises e riscos.

Creditos: *Professor de Física e Matemática