Velhos políticos ou más escolhas? O espelho que o eleitor evita encarar
28/11/2025, 08:49:19Entre culpados e responsáveis, a verdade costuma estar diante de nós
A pergunta que ecoa em mesas de bar, redes sociais e discursos inflamados é sempre a mesma: “Foram os velhos políticos que construíram o caos ou fomos nós que escolhemos mal?” A resposta, embora desconfortável, é menos uma sentença e mais um espelho. A política brasileira não é obra de um grupo isolado; é resultado de escolhas sucessivas, repetidas, muitas vezes preguiçosas, feitas por um eleitorado que, ao mesmo tempo em que critica, insiste em depositar seu voto nos mesmos rostos, nos mesmos sobrenomes e nos mesmos métodos de sempre.
Os velhos políticos, de fato, dominam o tabuleiro há décadas. São profissionais da sobrevivência eleitoral, especialistas em transformar promessa em moeda e lealdade em mercadoria. Carregam nas mãos a arquitetura de grande parte das estruturas falhas que nos cercam — da saúde que não chega ao bairro à obra que nunca termina. Mas nenhum deles se elege por decreto. Para cada político antigo que permanece, existe uma multidão que, consciente ou por inércia, confirma seu mandato.
A eleição é um contrato: eles oferecem, nós aceitamos. E, quando aceitamos sem ler as cláusulas, sem avaliar o histórico, sem comparar alternativas, assinamos a continuidade do caos. É mais fácil culpar o político de carreira do que admitir que milhões insistem em repetir escolhas ruins por conveniência, desinformação ou simples acomodação. A corrupção, o atraso, o improviso administrativo — tudo isso também nasce no voto que damos com pressa, com raiva ou por gratidão a favores pequenos.
Por isso, talvez não seja uma questão de velhos políticos versus maus votos. O problema é a simbiose perfeita entre ambos. Os velhos se perpetuam porque sabem lidar com um eleitorado que, em boa parte, não mudou seus critérios. E nós, enquanto sociedade, sofremos porque continuamos alimentando o ciclo. A solução? Romper a lógica. Mudar o padrão de escolha. Trocar emoção por análise, promessas por resultados e sobrenomes por competência.
Quando isso acontecer, os velhos políticos deixarão de ser culpados. E nós deixaremos de ser responsáveis. Até lá, o caos continuará sendo uma obra em coautoria.