Ex-integrantes comentam sobre possível volta do CQC
28/11/2025, 12:03:15O retorno do CQC em 2026: ex-integrantes falam sobre a possibilidade
Pela primeira vez, os ex-integrantes se juntam para dizer o que acham da volta do CQC e se topariam participar novamente. Nas últimas duas semanas, o CQC (Custe o Que Custar) voltou a aparecer na mídia: ora como possibilidade real na Band, ora como lembrança coletiva de um tempo em que humor político ainda cabia na TV aberta. Porque se tem uma coisa que o brasileiro gosta mais do que nostalgia é acreditar todas as vezes: agora vai!
A emissora estuda um retorno para 2026, ano de Copa do Mundo, eleições e todo o caos político que faz brilhar os olhos de qualquer roteirista de humor. O retorno pode ser tão explosivo quanto o Brasil de 2026. Mas será que ainda existe espaço para rir disso na TV aberta num Brasil mais polarizado, digital e inflamável do que nunca?
O déjà-vu é inevitável. O CQC nunca foi exatamente um programa para tempos calmos, mas hoje o terreno é outro: redes sociais que amplificam cada piada, cancelamentos instantâneos e uma audiência que já não consome humor político da mesma forma. Nostalgia, sim; mas também a dúvida se o retorno seria um respiro ou apenas mais combustível para a fogueira.
Para mim, o CQC foi completamente disruptivo pra TV em 2008. Revolucionou tanto o humor quanto a forma com que a política era abordada. Sempre sentirei falta do CQC, ou qualquer outro que use o humor como ferramenta pra um tema tão difícil de digerir quanto a política. Tá faltando um programa assim na TV.
E aí veio outra questão: “Se o CQC voltar… eu voltaria também?” Minha resposta seria: “Se o CQC voltasse tentando ser o programa da década passada no copia e cola, seria um desastre. Hoje, o risco é ser cancelado em três atos: primeiro na entrevista, depois na internet e, por fim, na política (com direito a bônus no humor). Pra funcionar, teria que voltar com espírito de CQC (Custe o Que Custar) e não com a filosofia de CQD (Custe o Que Der). Mas se voltasse com sangue nos olhos e faca nos dentes, eu acharia incrível e voltaria sem dúvidas. Até porque, convenhamos, a faca serviria não só pra me defender, mas pra cortar as piadas chapa-branca. Adoraria estar tanto na bancada como naquela época, quanto no Proteste Já que era um quadro que eu fazia com um tesão interminável e que, sinceramente, merecia até seguro de vida.”
Em vez de suavizar ou resumir, resolvi publicar as falas completas. Aqui vai um registro inédito: pela primeira vez, todos os ex-integrantes falam juntos sobre um possível retorno do CQC.
Marcelo Tas: “Se for pro CQC voltar com liberdade e criatividade, o formato CQC sempre será bem-vindo no Brasil. Sinto uma enorme demanda reprimida para a mistura humor + jornalismo. A internet cumpre parte disso, veja a transformação maravilhosa produzida na área do esporte pela Cazé TV. A televisão aberta continua fora dessa, não sei o porquê.”
Danilo Gentili: “O CQC só pode voltar se a TV entender que vai ter que comprar algumas brigas grandes de verdade com políticos de todos os lados, caso contrário será patético e chapa branca. A TV não pode esquecer que com a internet hoje, qualquer anônimo consegue falar o que pensa e confrontar de verdade político na rua. Se a TV não tiver disposta a fazer melhor que isso é bom nem começar.”
Felipe Andreoli: “Eu acho que a volta do CQC é possível, a gente tem muitos humoristas talentosos, muitas jornalistas talentosas que poderiam ocupar essas vagas e recriar esse programa. É lógico que teria que ter uma atualização. CQC acabou em 2015, então a gente está 10 anos pra frente. Imagino que deveria ser um programa totalmente diferente.”
Rafinha Bastos: “Politicamente eu acho que faz total sentido a volta do CQC. Está cada vez mais tranquilo expressar opiniões políticas sem causar alvoroço. Eu adoraria voltar pro programa. Hoje viajo o mundo fazendo show e participando de festivais de comédia.”
Rafael Cortez: “Super cabe a volta do CQC em 2026. Acima de tudo, pelo tanto que as pessoas esperam isso. É o que eu sinto, ouço e vejo em todo canto para onde vou por todo o Brasil desde que o programa acabou.”
Marco Luque: “Eu acho que caberia sim a volta do CQC nos dias de hoje, por que não? Um programa que junta humor e política, acho que seria muito bem-vindo sempre, em qualquer época.”
Monica Iozzi: “Eu acho que o CQC era um programa muito bom em vários aspectos. Então, sim, acho que seria ótima a volta do CQC. Mas, ao mesmo tempo, o CQC terminou já faz alguns anos. E a TV, o audiovisual, de maneira geral, mudou muito e rapidamente.”
Maurício Meirelles: “Acho que sempre cabe a volta do CQC. O desafio seria fazer esse programa com o contexto atual, onde tanto o público quanto a imprensa resolveram adotar lados e fariam de tudo pra detonar essa volta.”
Balanço Final: Resultado: 6 voltariam e 3 preferem preservar a sanidade mental. Nada mal para um programa que acabou há mais de uma década e ainda causa taquicardia em meio ao país. Afinal, o CQC continua mexendo com quem fez e com quem ainda sente saudade de ver político suando frio. Conclusão? Definitivamente, a gente não aprende. É muito masoquismo!