Depois do fenômeno Passo de Camaragibe, o que esperar para Piaçabuçu diante da decisão do TRE?

Eleição de 2024 em Piaçabuçu já pssou por três decisões apoiando a cassação da chapa Rymes Lessa? Carlos Ronalsa. O que esperar então?

Depois do fenômeno Passo de Camaragibe, o que esperar para Piaçabuçu diante da decisão do TRE?

A política alagoana vive, mais uma vez, um daqueles momentos em que um município vira laboratório eleitoral para todos os outros. Passo de Camaragibe foi o exemplo mais recente: uma decisão firme da Justiça Eleitoral mudou não apenas o destino de um pleito, mas o comportamento dos grupos políticos, reacendeu o debate sobre abusos de poder e colocou luz sobre práticas antigas que muitos insistiam em tratar como “normais”. Quando o Tribunal Regional Eleitoral decide, ele não fala apenas para um município — fala para todos. E agora, com Piaçabuçu à beira de conhecer uma nova decisão do TRE, a pergunta é inevitável: o que vem pela frente?

O caso de Piaçabuçu carrega semelhanças e diferenças que alimentam expectativas diversas. Assim como ocorreu em Passo de Camaragibe, há indícios, debates públicos, disputas judiciais e um ambiente político tenso, marcado por acusações que ganharam robustez com o tempo. A disputa não é apenas eleitoral; é moral, jurídica e simbólica. Há quem espere uma decisão dura, seguindo a mesma linha de Passo, como forma de reafirmação institucional. Há também quem defenda que o contexto de Piaçabuçu exige outra interpretação, outra dosagem, outro recado. O fato é que o TRE dificilmente age sem considerar o impacto do precedente que ele próprio cria.

Se o tribunal seguir a coerência, Piaçabuçu pode entrar para o mapa das cidades que tiveram o ciclo político redefinido pela Justiça Eleitoral. Isso poderia significar desde cassações e eleições suplementares até a simples reafirmação de um resultado, mas com advertências claras sobre condutas. Em qualquer cenário, há algo inegável: o eleitor do município já não é o mesmo de anos atrás. A influência das decisões judiciais recentes criou no povo uma nova sensibilidade — uma mistura de vigilância, desconfiança e esperança. O cidadão hoje quer saber quem ganhou de verdade e quem venceu usando atalhos proibidos.

Por outro lado, a classe política de Piaçabuçu também observa cada passo do tribunal com um misto de temor e estratégia. Afinal, qualquer mudança no tabuleiro pode desfazer acordos, reconfigurar alianças e modificar completamente o caminho para 2026. O que antes era tratado como “jogo jogado” se transformou, subitamente, em terreno instável. E se a decisão vier pesada, como muitos especulam, Piaçabuçu poderá viver seu próprio “efeito Passo de Camaragibe” — com impactos que vão muito além das urnas.

No fim das contas, o que Piaçabuçu aguarda não é apenas uma decisão jurídica, mas uma definição de futuro. O TRE dirá, mais uma vez, qual modelo de política o Estado aceita e qual ele rejeita. E quando o martelo bater, ficará claro se o município seguirá a velha cartilha da impunidade eleitoral ou abrirá um novo capítulo, assim como aconteceu no vizinho que virou referência recente. Até lá, resta ao eleitor observar, refletir e entender que seu voto é importante, mas que a Justiça, quando cumpre seu papel, pode ser ainda mais decisiva.

Leia matérias já publicadas:

https://correiodopovopenedo.com.br/noticia/2025/04/10/apos-perderem-todos-os-recursos-na-justica-eleitoral-em-penedo-rymes-lessa-e-carlos-ronalsa-terao-que-ir-ao-ter

https://tribunahoje.com/noticias/politica/2025/11/28/172957-prefeito-e-vice-de-passo-de-camaragibe-tem-mandatos-cassados

Creditos: Professor Raul Rodrigues