Cidade sem deputado estadual é cidade órfã

Dos deputados estaduais que tiveram votos dos penedenses com retornos de benefícios, somente Bruno Toledo faz parte desse contexto. Programa do Leite, apoio à Escola Ernane Méro, intorudução do JÁ na cidade, dentre outras atenções.

Cidade sem deputado estadual é cidade órfã

Há cidades que crescem pela força do povo, pela criatividade dos empreendedores, pela coragem de seus líderes comunitários e pela história que carregam no peito. Mas há algo que nenhuma cidade consegue suprir sozinha: a voz política que fala por ela nos espaços de decisão. Uma cidade sem deputado estadual é, inevitavelmente, uma cidade órfã — desprotegida, ignorada e condenada a disputar migalhas enquanto outras, mais representadas, avançam com passos largos.

Quando um município não elege seu próprio representante, perde o direito de exigir, com autoridade e legitimidade, aquilo que lhe é devido. Fica dependente de favores, promessas sazonais e alianças frágeis que duram apenas enquanto convém aos que estão de passagem. Uma emenda aqui, um aceno ali, uma obra improvisada apresentada como grande conquista: é assim que cidades órfãs sobrevivem, de pires na mão, sem capacidade de reivindicar o que deveriam receber por justiça, não por benevolência alheia.

A ausência de um deputado estadual próprio significa que as prioridades locais deixam de ser prioridades do Estado. Problemas como infraestrutura abandonada, saúde precarizada, falta de investimento em educação, economia estagnada e segurança pública insuficiente simplesmente não encontram eco na Assembleia Legislativa. E, quando não há quem cobre, quem defenda e quem bata na mesa pelo município, as decisões passam longe, deixando um rastro de invisibilidade que dura anos.

Cidades órfãs são também mais vulneráveis às narrativas de salvadores da pátria, aqueles que aparecem a cada quatro anos prometendo o céu, mas que nunca experimentam o calor do asfalto rachado nem o peso das dificuldades locais. São territórios onde a política se torna um jogo desigual — onde poucos ganham muito, e muitos ganham quase nada.

Ter um deputado estadual não é luxo, não é vaidade e não é capricho eleitoral; é necessidade básica, tão essencial quanto saneamento, transporte ou saúde. É ter alguém que conheça a cidade pelo nome, pela dor e pelo sonho. É ter um defensor, e não apenas um visitante. É garantir que o município não seja apenas um ponto no mapa, mas uma força ativa dentro do Estado.

Uma cidade sem deputado estadual é órfã — mas não precisa permanecer assim. Cabe ao eleitor romper esse ciclo, assumir o protagonismo e escolher alguém que realmente represente a sua terra. Porque quando uma cidade encontra sua voz, ela deixa de mendigar atenção e passa a exigir respeito.

Creditos: Professor Raul Rodrigues