De onde vem todo o contexto da igreja do Rosário e da Lavagem do Beco?

Abertura do Carnaval 2025 por Bloco foi com o Ovo da Madrugada. Já do Carnaval propriamente dito é com a Lavagem do Beco. Reedição de 2024.

De onde vem todo o contexto da igreja do Rosário e da Lavagem do Beco?

Tentamos levar aos nossos leitores a mais genuína leitura dos livros de Abelardo Duarte e Nina Rodrigues sobre a origem da igreja de Nossa

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 Senhora do Rosário dos Homens Pretos – igreja do Rosário – e conjuntamente construir o conhecimento para algumas pessoas, difuso, por tantas vertentes literárias da história das estórias.

Mas as páginas sob forma de imagem não possibilitaram a postagem com perfeitas condições de leitura. Por isso reescreveremos cada parágrafo ipsis litteris segundo os autores acima citados.

Origem do Rosário 

A devoção a Nossa Senhora do Rosário tem origem entre os religiosos dominicanos por volta de 1200. São Domingos de Gusmão, inspirado pela Virgem Maria, deu ao Rosário sua forma atual. Nossa Senhora do Rosário foi a mais popular das invocações de Maria entre brancos e negros da colônia brasileira. Foi escolhida como orago de muitas confrarias e irmandades criada para promover a alforria dos irmãos escravos e garantir sua sepultura em solo sagrado. As festas em sua honra incluíam expressões culturais como reisado e congo, além de outras evocações da

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 África.

O folclore, a cultura e a religiosidade Afro-Penedense

Nas tradições remotas do período da escravidão, não podemos esquecer a Taiêras, um cortejo dançante formado por africanas. Usavam troço branco de cassa, colares de coloridas contas, sendo a maioria deles de ouro, pulseiras, raias rodadas, chinelinhos de salto, etc. apresentavam-se com vestimentas, conhecidas na atualidade ao que todos chamam pelo nome de baianas. No estado de Alagoas segundo Abelardo Duarte, as Taiêras do Penedo eram em maior escala. 

Existiu um Quilombo nos arrabaldes do Oiteiro (hoje bairro Senhor do Bonfim), que pouco se sabe de sua história, salvo o Maracatu que até algum tempo atrás era uma testemunha viva dos resquícios do famigerado Quilombo. Tanto as Taiêras e o Maracatu do Rosário, como era de costume em Alagoas iam prestar suas reverências e devoção à Santa venerando-a em saudação diante da fachada da igreja da Senhora do Rosário dos Pretos, e, em seguida, seguiam em vista das casas dos

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 seus benfeitores. Esses festejos também apareciam durante as festas do Natal, descendo festivo até o Comércio, tradicional centro das festividades penedenses. Chegavam também o Reisado, a Chegança do Penedo (de renomada fama em todo o estado de Alagoas e Sergipe), O Bumba Meu Boi ao som da banda de pífanos, Guerreiro, Pastoril Toré (do Oietiro), Batucada e tantos outros. 

 

O africano no Penedo muito contribuiu para o desenvolvimento sócio econômico e cultural da cidade, tanto na parte material quanto religiosa. A cidade do Penedo reuniu no passado um dos mais populosos centros de negros, na região alagoana.

A mão escrava na construção de igrejas e casarios, na música nas artes e na agricultura. O memorável legado cultural e intelectual da “elite negra”, (os Malês), na época em que o conhecimento e o saber eram restritos aos mosteiros e conventos e ao privilégio de poucos brancos de renomada posse. Esses negros maometanos se destacavam na comunidade com requinte Árabe Clássico, conhecendo Astronomia, Direito, Aritmética e Teologia. Até o fim do cativeiro ainda realizavam a estranha cerimônia da “Festa dos Mortos”, que permitia aos negros comunicar-se com os seus mortos e venerá-los. 

A boneca Negra “Bebiana”, das festividades afro-religiosas é uma homenagem ao elemento negro Malê do Penedo, representando a figura de Bebiana Maria da Conceição Costa, natural da costa DˋÁfrica, que morou e faleceu em Penedo no dia, 02/05/1886. Nasceu e viveu na religião de Maomé dos Pretos e a de São Benedito. 

A cidade do Penedo tem por devoção maior à sua Padroeira, Nossa Senhora do Rosário, que sempre abrigou com seu manto de ternura a

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 todos os filhos (sem distinção de raça ou credo), que em desespero chamavam em seu socorro. 

A lavagem do adro da igreja do Rosário dos Homens Pretos foi retomada como forma de se resgatar uma simbologia dos velhos Carnavais que circundavam a quadra existente entre o Grupo Escolar Gabino Besouro e o prédio da antiga Emissora Rio São Francisco que percorriam os foliões  as Ruas Barão do Rio Branco – Rosário Estreito – e a Rua João Pessoa – Rua da Penha – como se fosse a passarela do frevo, e onde o Beco da Preguiça lhe servia de mictório público, trazendo dos tempos passados tamanha riqueza cultural, para se resgatar as raízes do legado afro-penedense, tendo por objetivo retirar e amparar suas tradições históricas do esquecimento. 

Sabe-se aqui no Penedo, que os escravos recolhiam no mato certas “contas” acinzentadas, denominadas de “Lágrimas de Nossa Senhora” e encontravam o desejado consolo nos braços misericordiosos da Mães Branca do Rosário.

Se compararmos a junção das ruas da disposição das ruas “Rosário Largo e Rosário Estreito” veremos que a igreja faz uma conexão com ambas as ruas, apresentando assim a forma de um imenso rosário, exatamente onde se encontra a medalhinha no terço. Podemos ainda levar

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 em consideração, que a característica “Cruz” que compõe o do rosário cristão, poderia se estender à milagrosa igreja do São Gonçalo do Amarante local esse onde hoje funciona o Colégio Imaculada Conceição.

No decorrer do tempo, a Câmara de Vereadores foi aprovando projetos que renomeavam os bairros tradicionais e a maioria das ruas e praças que constituem todo o conjunto arquitetônico do Sítio Histórico do Penedo e que atualmente faz parte do nosso patrimônio nacional.      

O sincretismo religioso

A lavagem nas igrejas é uma tradição de origem portuguesa, absorvida pelo sincretismo africano em sua feição. Ou seja: veio de Portugal no tempo do Brasil Império da tradição católica onde o povo fazia penitencias e promessas, aos santos de maior adoração, de varrer lavar, enfeitar e zelar das igrejas. Da África os escravos trouxeram para o Brasil a cerimônia das “Águas de Oxalá” que consiste em uma procissão representando a viagem de Oxalá, que foi cometido por injustiças durante todo o percurso de sua jornada ao reino de seu filho. O ritual simboliza a esse orixá (divindade) com rezas cantos e oferendas. Em localidade escolhida, e com muita água de cheiro, vão lavando e varrendo todo o ódio, inveja, fome, doenças e injustiças.

O porquê da Lavagem do beco 

A Capela de Santa Ifigênia

Inicialmente, no século XXII, local onde hoje se encontra a igreja de Nossa Senhora dos Pretos, os negros (escravos libertos) construíram uma

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 capela em adoração a Santa Ifigênia (a primeira santa africana). Era Ifigênia de origem nobre filha do Rei da Etiópia. Atualmente a imagem encontra-se ao lado do altar-mor e traz em suas mãos uma casa, simbolizando o Mosteiro que a mesma fundou e salvou das chamas invocando o nome de Jesus. A heroica santa tornou-se símbolo de proteção a todos contra incêndio, tornando-se também defensora dos que buscam a salvação do lar e da casa própria.

Segundo Silva Caraotá, em sua crônica de Penedo, datada de 20/12/1871, fala de um “livro das entradas das antigas” assentamentos dos irmãos do Rosário dos Pretos, datados de 1634.

Analisando no acervo de mapas do tempo dos holandeses no Penedo, constatamos a existência de uma habitação no local da referida capela, indicando consequentemente a existência e o provável funcionamento da mesma. O mapa data de 1637. Ano em que Maurício de Nassau edificou na Vila do Penedo do Rio São Francisco, para defesa dos seus domínios o Forte Muritis.  

Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

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A devoção de Nossa Senhora do Rosário se propagou pelo mundo, sendo levada também ao Congo (África), e introduzida no Brasil desde o início do século XVI pelos por missionários portugueses. 

A Irmandade dos Homens funcionava como uma espécie de Associação com a finalidade de abrigar as tradições afro-religiosas, objetivando aliviar o sofrimento aplicado pelos brancos, no entanto (escravos e libertos), procuravam a melhor forma possível nos rituais ao catolicismo, conservando em suas procissões símbolos religiosos representados por figuras ornamentadas, bonecos e alguns animais (boi, burrinha, jacaré, elefante e etc.).    

Creditos: Raul Rodrigues - com pesquisas