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Social-democrata se consolida como favorito para suceder Merkel na Alemanha em último debate presidencial

20/09/2021 07h22
Pesquisa mostra que Olaf Scholz teve 42% de opiniões favoráveis, contra 27% de Armin Laschet, considerado o herdeiro natural de Merkel
Social-democrata se consolida como favorito para suceder Merkel na Alemanha em último debate presidencial

BERLIM — O candidato social-democrata Olaf Scholz se consolidou como favorito para suceder a chanceler alemã, Angela Merkel, ao vencer o último grande debate entre os três principais candidatos neste domingo, a uma semana das eleições legislativas.

Scholz, atual ministro das Finanças e vice-chanceler, se saiu melhor que o conservador Armin Laschet, candidato de Merkel, e a ambientalista Annalena Baerbock, segundo pesquisa da empresa Forsa, ficando com 42% de opiniões favoráveis após o debate. O social-democrata, 63 anos, também havia vencido os debates anteriores, apresentando-se como um gestor tranquilo e experiente, qualidades essenciais para os alemães.

Armin Laschet, considerado o herdeiro natural de Merkel, mostrou-se combativo nesta reta final, mas a pesquisa da Forsa indicou que ele recebeu apenas 27% de opiniões favoráveis no debate. Aos 60 anos, Laschet não conseguiu desestabilizar o principal adversário e pareceu perder o rumo com as questões sociais, lançando um mal-humorado "Não entendi" após uma intervenção de Annalena Baerbock, que teve 25% de opiniões favoráveis na pesquisa da Forsa.

A direita, formada pela União Democrata Cristã (CDU) aliada ao CSU da Baviera, aparece nas pesquisas com entre 20% e 22% das intenções de voto, contra de 25% a 26% para os social-democratas do SPD. Os verdes têm entre 15% e 17%.

Desigualdade social, combate às mudanças climáticas, digitalização e segurança interna foram temas que dominaram o debate, transmitido por emissoras privadas e centrado em temas domésticos. "É surpreendente ver que a Europa e a política externa não foram abordadas em nenhum dos três debates", observou a revista "Der Spiegel".

Os Verdes e sua líder Annalena Baerbock, uma advogada de 40 anos que, inicialmente, causou euforia, antes de cometer vários erros atribuídos à sua inexperiência, parecem não ter chances de chegar à chancelaria.

Mas apesar das pesquisas, surpresas não devem ser descartadas. Dos eleitores alemães, 40% ainda não sabem em quem vão votar, de acordo com um estudo do instituto Allensbach. A isso, somam-se as margens de erro nas sonadegsn e a grande quantidade do voto por correspondência este ano, devido à pandemia.

— A eleição deve decidir o último governo que poderá influenciar na crise climática e, sem os Verdes, isso seria impossível — afirmou neste domingo Baerbock durante um congresso de partido.

Os ambientalistas devem, em qualquer cenário, desempenhar um papel crucial na formação de um governo de coalizão, provavelmente composto por três partidos. No debate de hoje, Scholz e Baerbock, que defenderam o aumento do salário mínimo, pareciam já formar uma equipe no debate de hoje.

— Dez milhões de pessoas se beneficiariam desse aumento — observou Scholz. — Isso é pela dignidade dos cidadãos.

Na semana passada, foi divulgada a notícia de que a Procuradoria de Osnabrück, no Noroeste do país, estava investigando dois ministérios em Berlim, o de Scholz (Fazenda) e o da Justiça, também liderado por um social-democrata. Os promotores buscavam informação sobre a Unidade de Inteligência Financeira (FIU, na sigla em alemão) com sede em Colônia, investigando uma suposta obstrução da Justiça ao não informar as autoridades competentes de várias suspeitas de lavagem de dinheiro. Alguns jornais alemães questionam se o momento escolhido para fazer as buscas é oportuno ou se esconde intenções políticas.

Enfrentando dificuldades e precisando de uma vitória no último debate, Laschet concentrou seus ataques na perspectiva de um governo "vermelho" na Alemanha, associando seu rival social-democrata ao partido da esquerda radical Die Linke.

Mas após o debate, a esperança que resta ao candidato conservador é o apoio de Merkel. A chanceler, que deixará o cenário político após 16 anos no poder, e que segue sendo muito popular, se manteve inicialmente à margem da campanha, antes de demonstrar apoio a Laschet. Agora, ela participa de vários atos de campanha.

— Isso deve beneficiá-lo —  opina o cientista político Karl-Rudolf Korte da Universidade de Duisburgo. — Assim como todos os que nos últimos anos foram eleitos por serem pessoas próximas a Merkel. 

Autor: O Globo e agências internacionais

Fonte: oglobo.globo.com