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Putin diz que participou de testes de vacina nasal contra Covid

24/11/2021 16h41
Presidente da Rússia também afirmou que tomou uma dose de reforço da Sputnik V dias antes da aplicação nasal porque seus níveis de anticorpos haviam caído.
Putin diz que participou de testes de vacina nasal contra Covid

O presidente da RússiaVladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira (24) que tomou uma dose de reforço da Sputnik V porque seus níveis de anticorpos haviam caído e que também participou de testes de uma forma nasal da vacina russa contra a Covid-19.

As declarações foram dadas no dia em que o governo russo anunciou uma nova versão da Sputnik V para adolescentes e a forma de spray nasal do imunizante — e que pretende exportá-lo

Putin afirmou que tomou o reforço em forma de injeção e, dias depois, recebeu o spray nasal (que é aplicado como um pó pulverizado em ambas as narinas).

 

"Foi só isso, não senti nada. Nada", afirmou o presidente russo. "Hoje, depois desses dois procedimentos, já fiz algum esporte pela manhã".

 

Apesar da declaração de Putin e do anúncio da comercialização, não foram divulgados estudos científicos que comprovem a eficácia das novas formas de imunização — nem que o spray nasal deve ser aplicado após uma dose da vacina na forma injetável.

Denis Logunov, vice-diretor do instituto Gamaleya, disse a Putin no domingo (21) que a vacina nasal ainda não foi testada em estudos clínicos e atualmente está sendo usada "principalmente 'off-label', como de costume, testando em membros da equipe e monitorando".

Os protocolos científicos estabelecem que vacinas e remédios precisam passar por várias fases de testes clínicos, com padrões técnicos e em milhares de pessoas, até que se estabeleça se eles são seguros e eficazes.

 

Vacina não aprovada

 

Até o momento, nem mesmo a versão original da Sputnik V — que é aplicada em duas doses — foi aprovada nem pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nem pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês).

A vacina russa também não foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil — foi autorizada apenas a importação excepcional de um lote de 928 mil doses, mas a decisão não garante a qualidade, a eficácia ou a segurança do imunizante.

Kirill Dmitriev, chefe do RDIF (fundo soberano russo que investiu na Sputnik V e a vendeu para dezenas de países), disse que vai comercializar a forma nasal da vacina para outros países em 2022.

 

Desencontro de informações

 

O Instituo Gamaleya havia anunciado em junho que pretendia lançar em setembro uma versão nasal da vacina Sputnik V para crianças de 8 a 12 anos — o que não ocorreu.

Nesta quarta, a vice-primeira-ministra da Rússia, Tatiana Golikova, anunciou que o Ministério da Saúde vai registrar hoje uma nova vacina, a Sputnik M, para uso em adolescentes de 12 a 17 anos (e que a imunização está prevista para começar no fim de dezembro).

 

Não está claro nas declarações das autoridades russas porque a vacina para adolescentes será em forma de injeção e porque o spray nasal será usado em adultos — diferentemente do que foi anunciado pelo Instituto Gamaleya em junho.

 

 

Covid e vacinação na Rússia

 

A Rússia foi rápida em desenvolver e aprovar a Sputnik V no ano passado, mas a população tem se recusado a tomar as vacinas disponíveis (44% dos russos tomaram ao menos uma dose e só 37% estão completamente imunizados).

Com isso, o país está vivendo uma quarta onda de Covid-19 que é a mais mortal da pandemia — com recordes diários de casos e mortes —, e o governo tem atribuído o surto atual à relutância da população em se vacinar.

Muitas pessoas hesitam em receber o imunizante por não confiar nas garantias do governo russo sobre a sua segurança, o que fez com que outubro tenha sido o mês mais mortal da pandemia até o momento no país.

Vacina em spray nasal

 

Diversas pesquisas vêm sendo realizadas em diversos países ao redor do mundo para tentar desenvolver um spray nasal contra a Covid-19. Isso ocorre porque a parte interna do nariz é uma das principais portas de entrada do vírus no corpo humano.

 

Mas todos os estudos ainda estão em fases iniciais de testes.

 

Em agosto, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Chicago e da Universidade Duke publicado na revista científica "Science Advances" afirmou que a vacinação intranasal pode ser mais eficaz e ter menos efeitos colaterais.

Em setembro, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa para a Agricultura, a Alimentação e o Meio Ambiente da França, em parceria com a Universidade de Tours, criaram e patentearam uma vacina intranasal. Mas o estudo foi conclusivo em animais.

Há cerca de um mês, o Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP) pediu autorização à Anvisa para iniciar estudos clínicos de fase 1 e 2 de uma vacina contra a Covid-19 administrada em spray nasal.

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Fonte: g1.globo.com