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Promessas eleitorais de Dilma empacam em 2011

26/12/2011 06h34
Promessas eleitorais de Dilma empacam em 2011

O pacote de controle de gastos, compromissos herdados da gestão anterior e dificuldades no Legislativo fizeram as promessas eleitorais mais vistosas de Dilma Rousseff empacarem no primeiro ano de seu mandato.

Todos os empecilhos eram previsíveis na época da campanha presidencial, quando a então candidata negava a necessidade de ajustes nas contas do governo em 2011.

Mais casas populares, creches, prontos-socorros e postos de saúde foram anunciados aos milhões e milhares, embora o governo Lula estivesse chegando ao fim com uma série de programas semelhantes sem conclusão.

O encontro com a realidade começou já no segundo mês de governo, quando foi anunciado um pacote de ajuste fiscal que reduzia em R$ 50 bilhões a programação de despesas para 2011. Procurava-se recuperar a credibilidade da política fiscal e controlar a inflação.

Os cortes atingiram, de imediato, uma das principais vitrines da candidatura petista, a segunda etapa do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que pretendia entregar 2 milhões de novas moradias. No papel, o Minha Casa perdeu R$ 5,1 bilhões dos R$ 12,7 bilhões para o ano, mas, na prática, o sacrifício foi muito maior. O dinheiro disponível foi usado para pagar, até novembro, R$ 5,8 bilhões em despesas atrasadas da primeira etapa do programa.

Bandeira social O nível de execução das promessas na área social não passa de 30% do previsto só para este ano. Dois dos principais programas da plataforma de Dilma --a construção de complexos esportivos e culturais e de postos de polícia comunitária-- não haviam recebido nenhum centavo até novembro.

A escassez de dinheiro e a falta de uma agenda legislativa com prioridades claras também comprometeram outros projetos. Como prometido, o governo propôs a meta de elevar de 5% para 7% do Produto Interno Bruto os gastos em educação. Mas o texto acabou parado no Congresso.

Dos poucos compromissos cumpridos neste ano está o acesso gratuito a medicamentos para diabéticos e hipertensos, além da criação do programa Brasil sem Miséria. Até aqui, contudo, este último ainda é uma carta de intenções para acabar com a pobreza extrema.

 

Folha de S.Paulo

 

Autor: Redacao I