Mundo

Pivô do mensalão é preso sob acusação de grilar terras

03/12/2011 05h47
Pivô do mensalão é preso sob acusação de grilar terras
O empresário Marcos Valério de Souza, pivô do escândalo do mensalão, foi preso ontem em uma operação da Polícia Civil da Bahia contra a grilagem de terras no Estado (fraude ocorrida em transações de terras). Valério foi preso em Belo Horizonte. Ele é suspeito de usar escrituras falsas de imóveis como garantias de pagamento de dívidas cobradas na Justiça. A operação policial baiana resultou na prisão de 15 pessoas na Bahia, em São Paulo e em Minas Gerais. Entre os presos estão três ex-sócios de Valério na agência DNA, envolvida no mensalão: Margareth Freitas, Francisco Castilho e Ramon Hollerbach. Todos negam a prática de irregularidades. Segundo o delegado Carlos Ferro, Valério usou as escrituras de cinco fazendas como garantia em ações de execução de dívidas movidas por uma agência de publicidade e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Os documentos mostrados por Valério nos processos de execução indicam que as fazendas teriam 17.100 hectares, mas elas não existiam: "Era só no papel. A matrícula que originou o registro das cinco fazendas que o Marcos Valério apresentou como garantia era de um terreno de 360 metros", disse Ferro. Na investigação do mensalão, descobriu-se que Valério usou esse esquema e adquiriu títulos falsos em cartórios da Bahia. Eles eram a garantia para cobrir dívidas que as agências de publicidade DNA e SMPB tinham com o INSS. Valério foi preso em sua casa por volta das 6h. Os policiais interfonaram e o próprio Valério atendeu. Segundo o delegado Denilson Gomes, ao ser informado do mandado, ele disse: "Ah tá, já sei". A polícia esperou 30 minutos na casa de Valério. Ele tomou banho e preparou uma pequena mala antes de ser levado. Sua mulher e o casal de filhos acompanharam a prisão. Eles choraram. Valério e seus ex-sócios foram transferidos para Salvador à tarde. Resposta Os advogados que cuidam da defesa dos quatro investigados presos em Belo Horizonte disseram que as prisões são "irregulares" e "arbitrárias". O advogado Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério, disse que a questão dos títulos falsos na Bahia são fatos ocorridos em 2003. Por isso, avalia que se trata de um crime prescrito.   Folha de S.Paulo

Autor: Redacao I