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Jovens carentes ganham baile de debutante de gala na Zona Sul

20/12/2011 06h04
Jovens carentes ganham baile de debutante de gala na Zona Sul

Na noite desta segunda-feira (19/12), um baile de debutantes um pouco fora do normal foi celebrado no Clube Monte Líbano, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A diferença é que a comemoração não contava com carros importados na garagem ou sobrenomes que geralmente figuram em colunas sociais.

As 21 adolescentes homenageadas fazem parte do programa “Rio, também sou adolescente”, que consiste consiste na realização de um baile para adolescentes abrigadas ou inseridas em algum projeto social da cidade do Rio de Janeiro. Realizado desde 2005 pela Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio, o programa foi criado pela juíza Ivone Ferreira Caetano.

"O principal prêmio que estas jovens estão recebendo nesta noite á a auto-estima e a possibilidade de sonhar", disse Ivone Ferreira. A festa também contou com a presença do ator Sidney Sampaio, que foi o príncipe das debutantes.

Nova perspectiva

O baile deu às adolescentes a oportunidade de ter tudo que uma debutante pode querer: orquestra, vestidos de gala, valsa com cadetes do Corpo de Bombeiros. No entanto, as próprias adolescentes reconhecem que a festa foi apenas a cereja no bolo de uma conquista muito maior.

"A festa é sonho de qualquer menina, mas o projeto nos deu muitas oportunidades", conta uma das adolescentes, que vive num internato para meninas na Zona Norte. "Minha mãe é dependente química e eu vivo no internato porque ela não pode cuidar de mim. Nesse programa, a gente aprende a não cometer os mesmos erros que nossos pais cometeram. Assim, poderemos dar um futuro melhor para os nossos filhos".

Além do baile de debutante, o programa "Rio, também sou adolescente" fez com que as jovens passassem por uma série de palestras de orientação vocacional, educação sexual, saúde e ética.

"O programa me ensinou a me valorizar com as aulas de educação sexual", ressalta uma das meninas. Apesar das brincadeiras das colegas, ela não baixou o tom. "Muitas de nós estão vivendo no internato porque nossos pais não tiveram acesso às informações que nós tivemos nessas palestras. Além de se valorizar, a mulher precisa se proteger. Tudo tem o seu tempo. Eu quero estudar e trabalhar antes de ter um filho".

 

 

Jornal do Brasil

Autor: Redacao I