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Encontrado 3º corpo de vítima do incêndio em SP; Corpo de Bombeiros analisa risco de desabamento

23/12/2011 14h46
Encontrado 3º corpo de vítima do incêndio em SP; Corpo de Bombeiros analisa risco de desabamento
Um terceiro corpo foi encontrado na manhã desta sexta-feira (23), durante trabalho de rescaldo do corpo de bombeiros no prédio abandonado e na favela do Moinho em Campos Elíseos, na região central de São Paulo. O local foi atingido por um incêndio de grandes proporções na quinta (22). O corpo estava carbonizado e foi encontrado no prédio, que está interditado e corre o risco de cair. Por volta das 8h45 os bombeiros encontraram o corpo da segunda vítima, no segundo pavimento do edifício. A Defesa Civil também está no local e avalia, junto com a corporação, os riscos de desabamento do edifício. Com sete viaturas, os bombeiros contam com a ajuda de cães farejadores para as buscas, que ainda não tem previsão de encerramento. De acordo com a corporação, há sete viaturas no local e as buscas ainda não tem previsão de encerramento.

Disputa da área da favela

A área onde está a favela do Moinho vem sendo alvo de disputas judiciais entre a prefeitura e os moradores nos últimos anos. Enquanto a administração municipal tenta desapropriar a área e utilizá-la para outros fins, os moradores buscam conquistar o direito de permanecer no local. A favela surgiu há cerca de 30 anos, quando um grupo de moradores ocupou uma área da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). A empresa foi extinta em 2007 e todos os seus bens repassados à União. Antes, em 1999, o terreno foi leiloado a Mottarone Serviços de Supervisão, Montagens e Comércio Ltda. para saldar as dívidas tributárias da RFFSA.

O incêndio

Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo começou a se espalhar pela favela por volta de 10h dessa quinta (22) e atingiu o prédio abandonado. A prefeitura contabilizou mais de 300 barracos destruídos. Duas pessoas morreram carbonizada. Ao todo, 35 veículos e 70 homens dos bombeiros foram enviados para combater as chamas. Duas pessoas se jogaram do prédio e ficaram feridas e uma ficou intoxicada por causa da fumaça. Além disso, um bombeiro ficou ferido durante o resgate, porque foi atingido na cabeça por uma televisão. Ele está em estado grave com fratura no crânio. Segundo Kassab, que visitou o local, as informações são de que o fogo teria sido provocado por uma mulher, moradora da favela, durante uma briga com o marido. Revoltada, ela teria queimado o barraco onde morava. Um inquérito, no entanto, será aberto para apurar as causas do incêndio.

Destino das famílias

Kassab, que foi recebido com protesto de moradores, disse que as famílias do local já estavam cadastradas em programas sociais da prefeitura e agora serão encaminhadas para abrigos --e se não houver abrigos suficientes, afirmou ele, a prefeitura vai construir mais unidades. A prefeitura disse posteriormente, em nota, que “todas as famílias que tiveram seus barracos atingidos pelo incêndio serão incluídas em programas habitacionais da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab)”. Os ministros Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) visitaram o local e ofereceram ajuda federal. Parte das famílias procurou abrigo em casas de amigos e parentes. Outras foram alojadas provisoriamente no Clube Raul Tabajara, na Barra Funda. O presidente da associação de moradores, porém, disse que não foi apresentada nenhuma garantia sobre o destino das famílias. “Ninguém deu certeza de nada. Estamos esperando uma decisão mais adequada. Vamos ver que eles podem oferecer”, disse. Por: Bol

Autor: Raul Rodrigues