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Em sua primeira viagem internacional como presidente, Biden chega à Europa e discursa que os 'EUA voltaram'

10/06/2021 08h45
Líder americano tenta mostrar força dos laços entre americanos e europeus após estremecimento durante governo Trump. Reunião com Putin em Genebra será ponto alto da visita ao Velho Continente.
Em sua primeira viagem internacional como presidente, Biden chega à Europa e discursa que os 'EUA voltaram'

"Os Estados Unidos voltaram", discursou nesta quarta-feira (9) o presidente americano, Joe Biden, ao chegar ao Reino Unido, primeira escala de sua viagem à Europa, após a divulgação de que seus país irá doar 500 milhões de vacinas Pfizer a outras nações.

 

"Vamos deixar claro que os Estados Unidos estão de volta e que as democracias do mundo estão unidas para enfrentar os desafios mais difíceis", declarou Biden em um discurso às tropas americanas estacionadas na base aérea britânica de Mildenhall, onde o avião presidencial Força Aérea Um pouso momentos antes vindo de Washington.

Fazendo uma defesa firme da democracia em relação à autocracia, e um apelo ao consenso e à colaboração, Biden afirmou que está "empenhado em liderar com força, defendendo os nossos valores e respeitando o nosso povo".

 

Mas, antes, ele tem uma reunião bilateral nesta quinta-feira com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, antes de participar de sexta a domingo da cúpula do G7 na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, onde as mudanças climáticas e a pandemia de covid-19 serão algumas das prioridades debatidas.

Muito criticada pelo atraso no compartilhamento de vacinas com o mundo, a Casa Branca tenta, agora, assumir a dianteira na questão. "Os Estados Unidos se comprometeram a trabalhar na imunização internacional com o mesmo senso de urgência demonstrado em casa", afirmou Biden.

 

Rainha e Putin

 

No domingo, após a reunião do G7, Biden será recebido pela rainha Elizabeth II no castelo de Windsor. Ele seguirá depois para a Bélgica, onde terá vários encontros bilaterais.

"Minha viagem à Europa é uma oportunidade para que os Estados Unidos mobilizem as democracias do mundo", declarou Biden, que repete desde sua posse que os "Estados Unidos estão de volta" ("America is back") e pretende ter uma participação ativa na esfera internacional.

Após o mandato de Donald Trump, no entanto, os aliados "receberão as palavras tranquilizadoras com um pouco de ceticismo", destaca Suzanne Maloney, do centro de estudos Brookings, com sede em Washington. "A vontade de Biden de reconectar com eles terá que superar não apenas as cicatrizes dos últimos quatro anos, mas também as perguntas sobre a saúde da democracia americana", escreveu.

"O objetivo da viagem é deixar claro para Putin e a China que a Europa e os Estados Unidos são aliados próximos", assinalou o presidente americano.

 

"Ele se prepara para isso há 50 anos", afirmou sua porta-voz, Jen Psaki, em referência à longa carreira política do presidente, 78 anos, que foi eleito para o Senado pela primeira vez em 1972. "Ele conhece alguns desses dirigentes, entre eles o presidente Putin, há décadas", completou.

Com assuntos como Ucrânia e Belarus, o destino do opositor russo detido Alexei Navalny e os ciberataques, o debate entre Biden e Putin deve ser duro. A segurança cibernética será "um assunto de nossa discussão", afirmou Biden, antes de iniciar a viagem.

A Casa Branca, que alterna mensagens conciliadoras e advertências, insiste que suas expectativas são modestas. O único objetivo antecipado é tornar as relações entre os dois países "mais estáveis e previsíveis".

"O problema é que Putin não quer necessariamente uma relação mais estável e previsível", afirma Alexander Vershbow, ex-diplomata americano. A presidência americana revelou poucos detalhes sobre o encontro com o presidente russo. Apenas deu a entender que, ao contrário do que aconteceu com Trump em Helsinque, em 2018, não está na agenda uma entrevista coletiva conjunta.

 

Autor: France Presse

Fonte: g1.globo.com