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Casa Branca acusa Rússia de preparar ação de 'bandeira falsa' para justificar invasão à Ucrânia

15/01/2022 08h44
Após fracasso de negociações, autoridades americanas falam que operação de sabotagem com agentes russos infiltrados poderia acontecer já nas próximas semanas
Casa Branca acusa Rússia de preparar ação de 'bandeira falsa' para justificar invasão à Ucrânia

WASHINGTON — A Casa Branca afirmou que a Rússia prepara ações de sabotagem com agentes infiltrados de Moscou passando-se por forças ucranianas para assim criar um pretexto e justificar uma invasão da Ucrânia.

A operação de “bandeira falsa”, como é conhecida no jargão militar, seria a alternativa russa se a diplomacia continuar sem alcançar resultados positivos, e poderia acontecer já nas próximas semanas, disseram autoridades americanas nesta sexta-feira.

— Temos informações que indicam que a Rússia já posicionou um grupo de agentes para conduzir uma operação de bandeira falsa no Leste da Ucrânia — disse Jen Psaki, porta-voz da Casa Branca. — Os agentes são treinados em guerra urbana e usam explosivos para realizar atos de sabotagem contra as próprias forças da Rússia.

Os militares russos planejam essa invasão “caso a diplomacia não cumpra seus objetivos” e pretendem “iniciar essas atividades várias semanas antes de uma invasão militar, que pode começar entre meados de janeiro e meados de fevereiro", disse.

As declarações da porta-voz do governo Biden, que não apresentou provas, foram repetidas pelo porta-voz do Pentágono, John Kirby, que disse que a Rússia estava preparando "uma operação projetada para parecer um ataque contra pessoas de língua russa na Ucrânia, gerando um pretexto para invadir”.

Além da sabotagem, haveria uma dimensão de contrainformação na operação de Moscou. Em dezembro, publicações em russo acusando a Ucrânia e seus defensores internacionais de planejarem ataques contra alvos russos foram contabilizadas em 3.500 por dia, um aumento de 200% em relação à média diária de novembro, disseram autoridades americanas.

Autoridades ucranianas alegaram que a provocação poderia ser um incidente violento na embaixada russa em Kiev ou em um consulado russo, e que Moscou poderia culpar extremistas ucranianos de extrema direita.

O porta-voz de Vladimir Putin, Dmitry Peskov, rejeitou as alegações como “infundadas e completamente não confirmadas”.

No mesmo dia das alegações, a Ucrânia foi atingida por um ataque cibernético em larga escala, e os sites de vários setores do governo, incluindo o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Educação, foram tirados do ar. Segundo o governo ucraniano, 90% dos sites já estavam de novo on-line horas depois.

Os hackers deixaram uma mensagem no site do Ministério das Relações Exteriores, segundo relatos. Dizia: “Ucranianos! Todas as informações sobre vocês se tornaram públicas. Tenham medo e esperem o pior. Este é o seu passado, presente e futuro.”

Os episódios se seguem a uma semana de negociações fracassadas entre autoridades russas e das potências ocidentais, em Genebra, Bruxelas e Viena. 

Desde outubro, a Rússia mantém quase 100 mil militares posicionados perto da fronteira com a Ucrânia, o que desatou uma grande crise e o temor de uma invasão. O Kremlin diz que as tropas estão lá paradas por prevenção, e que a aproximação entre o governo de Kiev e a Otan precisa parar para assim as forças voltarem a suas bases originais.

O governo russo pede garantias de segurança juridicamente vinculativas de que a Ucrânia e a Geórgia não entrarão para a Otan. Exige também que equipamentos militares sejam retirados da Europa Oriental, e que os níveis de armamentos ali presentes voltem para os padrões de 1997. Os Estados Unidos e a Otan rejeitaram as exigências.

Nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que Moscou “perdeu a paciência” com a indisposição das potências ocidentais em negociar.

— O Ocidente foi impulsionado pela arrogância e exacerbou as tensões em violação de suas obrigações e bom senso — disse Lavrov. — Nós categoricamente não aceitaremos o aparecimento da Otan em nossas fronteiras, especialmente devido ao atual curso da liderança ucraniana.

Questionado sobre o que Moscou quis dizer ao ameaçar nesta semana tomar "ações técnico-militares" se as negociações falharem, Lavrov disse:

— Medidas para destacar equipamentos militares, isso é óbvio. Quando tomamos decisões com equipamentos militares, entendemos o que estamos fazendo e para o que estamos nos preparando.

Imagens do Ministério da Defesa da Rússia divulgadas pela agência de notícias RIA mostraram veículos blindados e outros equipamentos militares sendo transportados em trens no extremo leste da Rússia, no que Moscou chamou de exercício de inspeção para praticar destacamentos de longo alcance.

Biden alertou sobre graves consequências econômicas para a Rússia se invadir a Ucrânia.

Autor: O Globo e agências internacionais

Fonte: oglobo.globo.com