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Biden e Macron anunciam consultas para garantir confiança mútua após crise dos submarinos

22/09/2021 16h49
Líderes se falaram por telefone depois que a França se mostrou descontente por ser preterida em negociações para fornecer submarinos à Austrália.
Biden e Macron anunciam consultas para garantir confiança mútua após crise dos submarinos

Emmanuel Macron e Joe Biden se falaram por telefone nesta quarta-feira (22) e disseram que "consultas abertas entre aliados" teriam "evitado" a crise dos submarinos australianos, de acordo com um comunicado conjunto do Palácio do Eliseu e da Casa Branca.

 

"O presidente Biden expressou seu compromisso permanente com esta questão", diz o comunicado, acrescentando que os dois líderes, que se encontrarão "na Europa no final de outubro", decidiram "lançar um processo de consultas aprofundadas destinado a estabelecer as condições para garantir a confiança".

 

Estados Unidos, Austrália e Reino Unido anunciaram na última quarta-feira (15) uma associação estratégica para fazer frente à China, chamada Aukus, que inclui o fornecimento de submarinos nucleares americanos ao governo australiano, o que deixou os franceses fora do jogo.

A França ficou furiosa com a decisão da Austrália de se retirar de um acordo de US$ 50 bilhões de compra de submarinos franceses em favor dos submarinos americanos.

Paris convocou, na sexta-feira, seus embaixadores nos Estados Unidos e Austrália para consultas, acusando este último país de "mentir" sobre a ruptura do contrato, uma decisão sem precedentes entre aliados.

 

 

'Profundas e graves reservas'

 

Antes, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, rejeitou as acusações francesas de ter mentido sobre esse contrato de compra de submarinos.

"Acredito que tinham todas as razões para saber que tínhamos profundas e graves reservas sobre o fato de as capacidades do submarino de classe Attack não responderem aos nossos interesses estratégicos e deixamos muito claro que tomaríamos uma decisão em função de nosso interesse estratégico nacional", declarou Morrison em coletiva de imprensa em Sydney.

Morrison disse que entendia a "decepção" do governo francês, mas afirmou que encontrou problemas com o acordo "há alguns meses", assim como outros ministros do governo australiano.

Para o líder, teria sido uma "negligência" seguir adiante com o contrato, apesar de os serviços de inteligência e de defesa da Austrália terem sugerido a ele que estaria indo contra os interesses estratégicos do país.

Autor: France Presse

Fonte: g1.globo.com