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Viúva de músico morto em ação de militares em Guadalupe passa mal durante julgamento

13/10/2021 18h13
Justiça Militar julga 12 militares do Exército acusados da morte do músico Evaldo Rosa dos Santos e do catador de latinhas Luciano Macedo.
Viúva de músico morto em ação de militares em Guadalupe passa mal durante julgamento

A mulher do músico morto em uma ação de militares passou mal durante o julgamento de 12 militares acusados da morte do marido, o músico Evaldo Rosa dos Santos, e do catador de latinhas Luciano Macedo. Luciana dos Santos Nogueira passou mal ao ver os acusados.

A Justiça vai analisar o que houve em abril de 2019 quando os militares efetuaram 257 tiros de fuzil contra o veículo de Evaldo que seguia para um chá de bebê com a família. O veículo foi atingido por 62 disparos de fuzil e pistola naquela tarde de domingo.

Além dos homicídios, os militares são acusados ainda de duas tentativas de homicídio contra os parentes de Evaldo que estavam no veículo e por se omitirem a socorrer os feridos na ocasião.

A defesa dos militares alega que uma das vítimas, o catador de latinhas Luciano Macedo, é criminoso e os soldados agiram em legítima defesa reagindo a uma tentativa de assalto. Nenhuma arma nunca foi apreendida.

Luciana afirma que não recebeu auxílio e que o catador foi uma vítima, assim como o músico.

“Em nenhum momento eles tentaram me ajudar no meu desespero, e as pessoas ali perto. Eu gritando que o meu esposo era trabalhador, que eles tinham acabado com uma família. E eles com a arma em punho, tinha um com ar de deboche, ‘aqui quem manda sou eu, aqui é autoridade’, argumentando o que eles tinham feito naquele momento”, disse Luciana.

O MPM pediu a condenação de oito militares e a absolvição de outros quatro, que estavam na ação, mas não atiraram.

"A versão dos militares afeta a dignidade das vítimas. É como matá-los moralmente uma segunda vez", afirmou a promotora Najla Nassif Palma.

Segundo o MPM, entre as provas de que não houve legítima defesa nos tiros disparados contra Luciano e Evaldo estão que nenhuma testemunha viu armas e agressão do catador Luciano Macedo contra militares, que nenhuma arma foi encontrada com Luciano e nenhum estojo foi deflagrado no local onde o catador foi baleado.

Ainda de acordo com a promotoria, nenhum vestígio de disparo foi encontrado na viatura militar e o proprietário do veículo roubado não reconheceu Luciano, Evaldo e Sérgio - sogro de Evaldo baleado na ação - como autores do roubo.

A promotora também pediu a absolvição dos militares na acusação de excesso na troca de tiros contra assaltantes de um Honda City.

O carro onde ele estava foi atingido por 62 tiros, sendo que oito disparos atingiram o músico.

Justiça Militar julga, nesta quarta-feira (13), os 12 militares do Exército acusados pela morte do músico Evaldo dos Santos Rosa e do catador de latinhas Luciano Macedo ocorrido em 8 de abril de 2019 — Foto: Henrique Coelho/ g1

Evaldo estava um Ford Ka que estava a 250 metros de distância, e foi atingido por dois disparos neste primeiro momento.

Pouco depois, o carro onde ele estava foi atingido por 62 tiros, sendo que oito disparos atingiram o músico.

Segundo a promotora, há "dúvida razoável" sobre a quantidade de tiros disparados no momento que tentavam impedir o assalto ao Honda City. Ainda de acordo com ela, pelo controle das munições utilizadas pelos soldados, não é possível saber quantos tiros foram disparados no primeiro momento.

Autor: Gabriel Barreira, Henrique Coelho e Lívia Torres, g1 Rio e TV Globo

Fonte: g1.globo.com