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Veja como reduzir o risco de Covid na volta à escola

18/10/2021 17h37
Presença dos estudantes passa a ser obrigatória a partir desta segunda-feira (18) nas escolas estaduais de São Paulo
Veja como reduzir o risco de Covid na volta à escola

Com a volta às aulas presenciais de forma obrigatória em São Paulo hoje, especialistas apontam o que é seguro e o que deve ser evitado para diminuir o risco de Covid. Privilegiar atividades ao ar livre, ventilação e uso de máscaras adequadas são medidas indicadas.

são paulo Com o retorno às aulas presenciais de forma obrigatória em São Paulo a partir desta segunda-feira (18), dúvidas podem surgir sobre o que é seguro fazer e o que deve ser evitado para diminuir o risco de transmissão do coronavírus.

Especialistas ouvidos pela reportagem são unânimes: o essencial é privilegiar atividades ao ar livre, ventilação e uso de máscaras adequadas.

Por outro lado, o protocolo estadual continua adotando medidas pouco ou nada eficazes para reduzir o contágio, como a medição de temperatura na entrada, o uso de tapetes sanitizantes e até a proibição de atividades com bola — não há comprovação que esse tipo de exercício tenha um alto risco de contaminação.

O governo de João Doria (PSDB) decidiu também que a partir de 3 de novembro deixa de existir o distanciamento de 1 metro nos espaços escolares. A mudança ocorre para que as unidades estaduais possam receber todos os alunos, sem o esquema de rodízio.

Com a regra de distanciamento, apenas 1 em cada 4 das escolas da rede pública conseguiam atender os alunos simultaneamente, enquanto na rede particular o atendimento já estava próximo de 100%, o que aumentou ainda mais a desigualdade educacional.

Como diminuir os riscos de transmissão em escolas?

Escolas são ambientes em geral fechados e mal ventilados. Assim, a principal dica é orientar o uso adequado de máscaras durante todo o tempo —exceto na hora das refeições— e priorizar ambientes ao ar livre, afirma o físico e pesquisador na Universidade de Vermont (EUA), Vitor Mori.

“Muitas pessoas acham que um protocolo para ser eficaz precisa ser rebuscado, mas as coisas que mais funcionam são as mais fáceis”, diz ele.

O ideal é que as refeições também sejam feitas ao ar livre. “Ficar 20, 30 minutos do intervalo em uma sala fechada, sem máscara, possui risco elevado, então é importante um local externo, mesmo que com uma cobertura, mas com boa ventilação pelos lados para o momento da refeição”, diz.

Para os especialistas, porém, medidas que diminuem o contágio aéreo, como investir em ventilação, estão atrasadas. ”Os gestores poderiam ter aumentado as janelas das salas, pedir filtros HEPA [que retém partículas contaminadas no ar] para os aparelhos de ar-condicionado, comprar mais ventiladores. Mas isso não foi prioridade, a gente viu escolas comprando tapete sanitizante e termômetro infravermelho, mas sem investir na estrutura”, afirma o professor de gestão pública Ricardo Lins Horta.

Outra medida, que vem sendo aplicada às escondidas em escolas nos Estados Unidos, é o uso de medidores de CO2 (gás carbônico) que calculam a quantidade de CO2 em um ambiente fechado vindo da exalação das pessoas lá dentro. Um ambiente com um nível de CO2 acima de 1.000 ppm seria considerado de maior risco, segundo a Anvisa.

Então em quais medidas é preciso focar?

A ventilação das salas, com o uso de ventiladores que fazem a troca constante do ar saturado e possivelmente contaminado com o ar externo, é uma das medidas que funcionam para reduzir os riscos, além, claro, de mais áreas livres.

Comprar máscaras PFF2, principalmente para os professores, que são em geral aqueles que mais falam e portanto mais emitem partículas aerossóis durante o período da aula, também é uma boa medida a ser adotada.

Mori, que integra o grupo de pesquisadores do Observatório Covid-19 BR, lembra da importância da vedação das máscaras. Já existem máscaras PFF2 para crianças, e os pais que quiserem podem orientar seus filhos a usá-las, desde que as crianças fiquem confortáveis, diz.

O distanciamento entre os alunos pode ajudar a diminuir os riscos, porque quanto mais perto de alguém infectado, mais partículas podem ser inaladas. Mas a medida não é eficaz em ambientes fechados e com pouca circulação do ar, alerta Mori.

Para Renato Kfouri, pediatra e presidente do departamento de imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), nas condições atuais das escolas públicas brasileiras — com turmas cheias, salas pequenas e prédios com pouca infraestrutura— é preciso abrir mão do distanciamento para que todos possam voltar. “O retorno, ainda que nessas condições, pode ser seguro se mantivermos as outras medidas: uso de máscara e ventilação nas salas”, afirma ele.

Há uma série de medidas, porém, que os especialistas consideram que não são eficazes no combate ao vírus: tapetes sanitizantes, medição de temperatura na entrada e barreiras de acrílico, por exemplo.

Henrique Pimentel, chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), diz que, mesmo sem consenso científico sobre a eficácia do uso de termômetros, eles continuam fazendo parte do protocolo que as escolas devem seguir, uma vez que “as escolas já adquiriram os termômetros e eles dão sensação de segurança para a comunidade”.

O que as crianças podem fazer enquanto estiverem em aula?

Novamente, o tripé ventilação, máscaras adequadas e evitar aglomeração deve ser priorizado. “O problema maior continua sendo o contato face a face sem máscara. Durante as aulas, se alunos e professores estiverem de máscara, é possível minimizar os riscos”, explica o físico.

Abaixar a máscara por alguns segundos para beber água não seria um grande problema, afirma Mori, mas é preciso ficar atento às atividades em grupo que podem ocorrer.

E nas brincadeiras? Crianças pequenas raramente conseguem ficar distantes. Como diminuir os riscos?

Educadores reforçam que, mesmo com crianças pequenas, é possível haver adesão às medidas de segurança, ainda que elas não sejam cumpridas todo o tempo. O trabalho na escola e o reforço da família para ensinar e lembrar as crianças sobre as regras ajudam nessa tarefa.

Kfouri ressalta que, quanto mais nova for a idade dos alunos, menor a chance do cumprimento adequado das medidas de proteção. No entanto, ele diz que a menor incidência de transmissão, infecção e adoecimento de crianças pelo coronavírus mostram que o risco é pequeno. Já para as mais velhas, brincadeiras ao ar livre e jogos não devem ter um risco maior se for respeitada a regra de máscara, distanciamento e ventilação.

Autor: Ana Bottallo e Isabela Palhares

Fonte: pressreader.com/Folha de S.Paulo