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UE avalia vacina obrigatória, e mortes saltam na Alemanha

02/12/2021 08h45
Óbitos por coronavírus no país europeu chegam a maior nível em nove meses
UE avalia vacina obrigatória, e mortes saltam na Alemanha

BRUXELAS A vacinação obrigatória contra a Covid-19 não deve ser descartada como política pública para defender a população da União Europeia (UE), disse nesta quarta (1º) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Regras de saúde pública no bloco europeu são decididas pelos governos nacionais, e, nesta terça (30), a Grécia anunciou que passará a multar residentes de 60 anos ou mais que não se imunizarem até 16 de janeiro. Já a Áustria pretende tornar compulsória a vacina contra a Covid-19 a partir de fevereiro de 2022.

O comentário da líder do Executivo da UE vem no dia em que a Alemanha registrou o maior número de mortes por Covid dos últimos nove meses. O Instituto Robert Koch, a agência federal de controle de doenças do país, relatou 446 óbitos pela doença nesta quarta —maior cifra diária desde 18 de fevereiro.

A taxa de incidência da doença nos últimos sete dias por 100 mil habitantes, porém, caiu pelo segundo dia consecutivo: 442,9, contra 452,2 na terça. Epidemiologistas locais afirmam que, se seguir assim, o país ainda pode ter 6.000 pessoas com Covid em tratamento de terapia intensiva até o Natal, independentemente das medidas de mitigação que as autoridades tomem nos próximos dias.

Von der Leyen pediu aos 27 países-membros do bloco europeu que ampliem a porcentagem de habitantes imunizados e acelerem a aplicação de doses de reforço. Também considerou aceitável que, enquanto não há evidências científicas sobre o efeito da variante ômicron, governos exijam de viajantes testes negativos para Sars-Cov-2, mesmo nas viagens internas na UE, como vem fazendo Portugal.

Questionada sobre a obrigatoriedade da vacina, Von der Leyen respondeu: “Temos as vacinas, que salvam vidas, mas não estão sendo usadas adequadamente em todos os lugares. E este é um custo enorme para a saúde. A vacinação obrigatória na União Europeia precisa ser discutida”.

A presidente da Comissão Europeia ressaltou ainda que, na média, um quarto dos adultos e um terço da população total do bloco não foi vacinada, o equivalente a 150 milhões de pessoas, número que considerou excessivo mesmo descartando crianças e quem não pode receber a injeção por motivos médicos. Vacinas da Pfizer estarão disponíveis a crianças do bloco europeu a partir de 13 de dezembro.

“A grande maioria poderia [tomar a vacina], portanto acho compreensível e adequado conduzir essa discussão agora”, afirmou. Von der Leyen, como diversos líderes do bloco, disse que sistemas de saúde estão ficando sob pressão com a quarta onda de Covid e que a nova cepa pode piorar ainda mais o quadro.

Quatro pessoas no sul da Alemanha receberam diagnóstico de Covid com a variante ômicron, embora já estivessem com esquema vacinal completo, segundo anunciado também nesta quartafeira. Três dos infectados tinham viajado para a África do Sul recentemente, e a quarta pessoa é parente de um deles.

O futuro premiê alemão, Olaf Scholz, já havia afirmado nesta terça que o país vai discutir a possível obrigatoriedade da vacina —atualmente, 68% dos alemães tomaram as duas doses—, mas reforçou que decisão do tipo cabe ao Bundestag, o Parlamento do país. De acordo com o socialdemocrata, a medida deveria começar a valer até, no máximo, o início de março de 2022.

Os dois primeiros casos da nova cepa também foram confirmados na Noruega em pessoas que viajaram recentemente para a África do Sul, informaram as autoridades de Oeygarden, no oeste. O país anunciou o retorno do uso de máscaras em locais lotados, bem como a aceleração da aplicação de dose de reforço.

Já na Dinamarca, a autoridade de segurança sanitária disse que uma pessoa infectada com a ômicron participou de um show no sábado (27), no município de Aalborg, com cerca de 2.000 pessoas. O governo pediu que todos os presentes realizem testes. O país nórdico registrou recorde de novas infecções diárias por Covid nesta quarta —5.120 casos— e tem seis contaminações pela variante ômicron.

Funcionários da OMS (Organização Mundial da Saúde) informaram que pelo menos 24 países relataram casos da variante ômicron e que 56 nações já implementaram medidas restritivas em suas fronteiras.

O governo da França anunciou que todos os viajantes de países de fora da UE terão de apresentar um teste negativo para Sars-Cov-2, mesmo que estejam vacinados. A suspensão de voos de países oriundos do sul da África foi estendida até a próxima sexta-feira (3).

Autor: Ana Estela de Sousa Pinto

Fonte: g1.globo.com