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Rejeição maior que aceitação

06/09/2012 12h33
Líderes nas pesquisas conseguem ter rejeição maior do que o percentual de intenções de
Rejeição maior que aceitação

José Serra não está sozinho na luta contra os altos índices de rejeições. De acordo com as pesquisas de opinião mais recentes do Ibope, outros sete candidatos a prefeito das capitais de todos o país enfrentam uma rejeição igual ou superior a 33%. Isso significa que, a cada três eleitores, um não votaria de forma alguma no candidato em questão. Quem encabeça a lista é o deputado federal Almeida Lima, que tenta voltar à prefeitura de Aracaju, com 38% de rejeição. Já Serra, segundo pesquisa divulgada na segunda-feira pelo Ibope, conseguiu reduzir o índice de 37 para 34%. Segundo o Datafolha divulgado na quarta-feira, no entanto, a rejeição a Serra subiu de 41% a 42%. Em alguns casos, candidatos que lideram as pesquisas conseguem ter uma rejeição maior do que o percentual de intenções de voto.

Campeão de rejeição entre todos os candidatos a prefeito das capitais do Brasil, Almeida Lima (PPS) culpou o Ibope pelo resultado da pesquisa divulgada em 27 de agosto. O deputado está em quarto lugar, com apenas 4% das intenções de voto.

— Já fui prefeito e saí com a aprovação em 83%. Este resultado mostra apenas a imoralidade do Ibope — acusa o candidato.

Morador de Aracaju, o cabeleireiro Francisco da Silva, de 68 anos, diz que não votaria em Almeida Lima “nem que lhe pagassem”: — Se ele não está bem cotado, é porque não vale nada. Ele já foi prefeito, senador, mas quando está lá em cima não ajuda ninguém — afirma.

Moroni Torgan (DEM) tem a preferência do eleitorado e a maior rejeição de Fortaleza. O percentual de eleitores que não querem vê-lo como prefeito supera seus 31% de intenções de voto, e chegou a 33% na pesquisa divulgada em 30 de agosto. Moroni já foi candidato a prefeito de Fortaleza quatro vezes, mas nunca conseguiu ser eleito. Foi vice-governador do Ceará ao lado de Tasso Jereissati, e deputado federal por três mandatos.

Para a estudante de psicologia Manuella Baima, o político acabou ficando conhecido na cidade depois de se candidatar tantas vezes à prefeitura, mas sua expressividade política na capital cearense ainda é pequena.

— O Moroni é a grande incógnita dessa eleição. Quem acompanha política sabe que ele só aparece nessa época. Mas ele focou nas classes menos favorecidas e fez propostas de segurança, que é o principal problema de Fortaleza atualmente. Por isso, algumas pessoas estão pensando em votar nele — sugere.

Empatado em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto em Maceió, Ronaldo Lessa (PDT) tem 28% do eleitorado, mas sua rejeição é ainda maior: 34%, de acordo com a pesquisa do Ibope de 16 de agosto. Prefeito de Maceió em 1992 e governador do Alagoas em 1998, o candidato chegou a disputar o governo do estado novamente em 2010, mas teve a candidatura impugnada na véspera do segundo turno. O pedido de sua atual candidatura chegou a ser negado devido ao não pagamento de uma multa eleitoral de R$ 38.703,44, ainda referente à campanha de 2006, mas o político recorreu.

O taxista Ednaldo Correia é um dos eleitores que não pensa em votar em Lessa de jeito nenhum. Para ele, a rejeição ao político na cidade está mais ligada à sua própria atuação em mandatos passados do que a seus aliados políticos, que incluem o senador Renan Calheiros e o ex-presidente Fernando Collor.

— O Ronaldo Lessa já deu o que tinha que dar. Ele já foi prefeito de Maceió, governador de Alagoas, e não fez muita coisa. O povo já está saturado dele — desabafa.

Para o cientista político Alberto Carlos Almeida, os índices de rejeição normalmente são um reflexo do histórico do candidato.

— Muitas vezes, a rejeição está ligada à atuação desses políticos em seus mandatos anteriores. Mas cada caso deve ser analisado individualmente. Um alto índice de rejeição nao é suficiente para impedir que o candidato seja eleito — afirma.

Em Boa Vista, Mecias de Jesus (PRB) conta com uma rejeição de 36%. Segundo colocado na pesquisa do Ibope de 21 de agosto, o deputado estadual conta com o apoio do atual prefeito, Iradilson Sampaio, do PSB. Já Cristina Almeida (PSB) está em segundo lugar na pesquisa divulgada em 14 de agosto para Macapá, com 16% das intenções de voto, mas a sua rejeição na cidade chega a 35%. Em João Pessoa, Zé Maranhão (PMDB) enfrenta o mesmo problema. Tecnicamente empatado com o adversário Cícero Lucena (PSDB), o candidato possui 27% das intenções de votos, mas é rejeitado por 35% do eleitorado, segundo dados de 10 de agosto. O atual prefeito de São Luís e primeiro colocado na pesquisa de 27 de agosto, João Castelo (PSDB), encontra-se empatado tanto nas intenções de voto quanto na rejeição: 33% para ambos. Os candidatos não foram encontrados até o fechamento desta edição para comentar o caso.

A pesquisa em Aracaju foi publicada em 17 de agosto por encomenda da Rádio Televisão de Sergipe. Em Boa Vista, a pesquisa foi publicada em 21 de agosto, encomendada pela Rádio TV do Amazonas. Em João Pessoa, a data de publicação é de 10 de agosto e o solicitante foi a Televisão Cabo Branco É da mesma data a pesquisa de Macapá, encomendada pela Rádio TV do Amazonas. Em São Paulo, a pesquisa de 30 de agosto feita a pedido da Rede Globo e do jornal O Estado de São Paulo. A pesquisa de Maceió, publicada em 14 de agosto, foi solicitada pela TV Gazeta de Alagoas. Já em Fortaleza, a pesquisa de 13 de agosto foi feita sob encomenda da Editora Verdes Mares. Em São Luís, a data de publicação da pesquisa solicitada pela TV Mirante é de 24 de agosto. Todas as pesquisas foram registradas nos tribunais regionais eleitorais de cada estado. Todas possuem um grau de confiança de 95%, com margem de erro que varia entre 3 e 4 pontos percentuais. Em São Paulo foram ouvidos 1.001 eleitores, e em São Luís, 805. Em todas as outras, 602 eleitores foram entrevistados pelo Ibope.

Autor: Redação

Fonte: Oglobo.com