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PRESIDENTE AFIRMA ESTAR ‘TUDO CERTO’ PARA SUA FILIAÇÃO AO PL

25/11/2021 08h37
Partido afirma que assinatura da ficha do presidente como membro do partido será no dia 30
PRESIDENTE AFIRMA ESTAR ‘TUDO CERTO’ PARA SUA FILIAÇÃO AO PL

Jair Bolsonaro e Arthur Lira na cerimônia em que o presidente da República recebeu a medalha do Mérito Legislativo; ele confirmou a ida para o partido de Valdemar Costa Neto, após entraves em alianças regionais, como em São Paulo

BRASÍLIA O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (24) que está “tudo certo” para sua filiação ao PL de Valdemar Costa Neto. Esta é a primeira vez que o mandatário confirma sua ida para o partido, antes disso só havia dito que estava “99% fechado” .

Na terça-feira (23), a sigla divulgou nota afirmando que marcou a assinatura da ficha para 30 de novembro.

“Deu certo, deu certo. Tá tudo certo”, disse o presidente, questionado por jornalistas se seria certa a filiação do PL.

A declaração foi dada por ele ao deixar a pé o Palácio do Planalto para a Câmara dos Deputados, onde recebeu medalha do Mérito Legislativo.

Ao sair, reafirmou, recorrendo à metáfora que mais usa sobre partidos: “Tudo certo para ser um casamento [com o PL] que seremos felizes para sempre”.

Bolsonaro disse ainda não saber se o evento de filiação poderá ser às 10h30, conforme o PL divulgou, por causa do “expediente” dele. “Acertamos São Paulo, alguns estados do Nordeste. No macro, foi tudo conversado com Valdemar, sem problema”, afirmou.

Ele elogiou o dirigente do centrão, que disse ser conhecido por “honrar a palavra”. “E da minha parte também [honra a palavra]”.

A nova data foi marcada após semanas de idas e vindas. Bolsonaro havia dito que estava “99% fechado” com o PL.

A primeira data do “casamento” havia sido marcada pelo PL para a última terçafeira, 22 de novembro, mas acabou adiada por entraves em alianças regionais, em especial em São Paulo.

Nos últimos meses, Bolsonaro vinha sendo disputado pelo PL e pelo PP, partidos que compõem sua base de apoio no Congresso e que ocupam cadeiras no Palácio do Planalto (na Secretaria de Governo e na Casa Civil).

Ele chegou a estar mais próximo do PP de Ciro Nogueira, partido ao qual já foi filiado, mas venceu a tese de aliados que acreditavam que o PL teria risco maior de debandada na eleição de 2022, se não estivesse com o presidente filiado.

Valdemar, que já foi aliado do PT, condenado e preso no mensalão, adotou uma postura pragmática e fez de tudo pela filiação do presidente.

O cálculo visa aumentar a bancada de deputados e senadores no Congresso em 2023, independentemente de quem ganhe o Planalto, saltando de 43 deputados para ao menos 65.

A relação entre Bolsonaro e o PL melhorou depois que Valdemar carta branca dos diretórios estaduais para que ele pudesse negociar a situação de cada estado conforme achasse melhor para viabilizar a entrada de Bolsonaro.

O maior empecilho era o palanque paulista, onde o PL havia prometido apoiar o vicegovernador, Rodrigo Garcia (PSDB), na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

O cenário era tão incerto que auxiliares palacianos defendiam que Bolsonaro aguardasse as prévias nacionais dos tucanos para definir a chapa em São Paulo e o partido a que se filiaria

Valdemar aguarda as prévias tucanas para ter uma conversa definitiva com Garcia, mas já indicou que pode romper o acordo para agradar a Bolsonaro, que insiste em lançar Tarcísio de Freitas para o governo. Mas o próprio ministro resiste a essa possibilidade e prefere se lançar ao Senado.

Garcia foi lançado como candidato no último domingo, em convenção estadual do PSDB. Mas, segundo interlocutores, tudo ainda depende das prévias.

Ele está empenhado em garantir a vitória do governador de São Paulo, João Doria, na disputa interna do partido.

Auxiliares palacianos veem Garcia como um bom nome, contanto que esteja distante do PSDB e de Doria. Mas a possibilidade de que o vice-governador romper com a atual gestão é considerada baixa.

No ano que vem, o presidente diz que quere participar de eventuais debates marcados para as eleições. Mas põe condições e diz que aceita falar de seu mandato e até sua vida pessoal, mas não quer o envolvimento de família e amigos na discussão política.

Em 2018, Bolsonaro esteve apenas no primeiro debate, que não teve participação de nenhum candidato petista. Depois de ser atacado a faca, no início de setembro daquele ano, ele não pôde participar de nenhum encontro no primeiro turno. No segundo, foi liberado pelos médicos, mas preferiu não enfrentar Fernando Haddad nos eventos marcados pelas TVs Record e Globo alegando desconforto. À época, ele ainda usava uma bolsa de colostomia, retirada em uma nova cirurgia em 2019.

Nesta quarta, o presidente caminhou do Planalto para o Congresso nesta manhã para receber a homenagem na Câmara, o que ocorreu sob aplausos e protestos dos parlamentares e homenageados no plenário da Casa.

Enquanto o mandatário recebia a medalha do presidente da Câmara e aliado, Arthur Lira (PP-AL), foi possível ouvir gritos de “genocida” e “mito”. A bancada do PT chegou a levar cartazes com os dizeres “medalha da cloroquina”, “medalha da rachadinha” e “medalha da miséria”.

A segunda secretária da Câmara, deputada Marília Arraes (PT-PE), fez um discurso em defesa da democracia e com indiretas para Bolsonaro.

Chegou a citá-lo uma vez, atribuindo-o a um estudo do Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA), que identifica, segundo a parlamentar, a erosão da democracia no mundo.

Autor: Marianna Holanda

Fonte: pressreader.com/Folha de S.Paulo