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Pobreza no mundo deve diminuir em 2021, aponta FMI

14/10/2021 07h07
Relatório do FMI divulgado ontem aponta que a pobreza deve cair em 2021
Pobreza no mundo deve diminuir em 2021, aponta FMI

Relatório do FMI divulgado ontem aponta que a pobreza deve cair em 2021, “parcialmente compensando o grande aumento em 2020”. O número de pessoas pobres, porém, ainda será entre 65 milhões e 75 milhões mais alto do que o projetado no pré-pandemia.

Projeção, porém, ainda está de 65 milhões a 75 milhões acima do que era esperado antes da pandemia, segundo relatório

washington | bbc news brasil A crise provocada pela pandemia de Covid-19 vai deixar uma “marca duradoura” nas finanças dos governos, na desigualdade, na pobreza e no PIB de muitos países, diz o FMI (Fundo Monetário Internacional) em relatório divulgado nesta quarta-feira (13), em Washington.

Segundo o Monitor Fiscal, documento que revisa o estado das finanças públicas ao redor do mundo, apesar de projeções de declínio na pobreza e na dívida pública neste ano em comparação a 2020, os níveis ainda permanecerão bem acima do que era esperado antes da crise.

O FMI diz que a pobreza deve cair em 2021, “parcialmente compensando o grande aumento em 2020”. “Mas o número de pessoas na pobreza ainda é projetado para ser entre 65 milhões e 75 milhões mais alto do que [o projetado] antes da pandemia”, diz o relatório.

O Fundo observa que essa estimativa tem um “alto grau de incerteza e vai depender, entre outros fatores, da força da recuperação e da eficiência de redes de proteção”.

No caso da dívida pública global, a projeção é de que fique em 97,8% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, uma redução de menos de um ponto percentual em relação ao recorde de 98,6% registrado em 2020, quando os países recorreram a ações fiscais “sem precedentes” para combater a pandemia, muitas vezes envolvendo aumento de gastos ou redução de receita.

Segundo o FMI, a expectativa é de que nos próximos anos a dívida global se estabilize em torno de 97% do PIB, nível bem acima do projetado antes da pandemia. Só a partir de 2026 esse percentual deve começar a ser reduzido.

“O aumento na dívida pública em 2020 foi inteiramente justificado pela necessidade de responder à Covid-19 e suas consequências econômicas, sociais e financeiras”, disse o diretor do Departamento de Assuntos Fiscais, Vitor Gaspar, ao apresentar o relatório. Mas ele alertou que “níveis altos e crescentes de dívida pública e privada estão associados a riscos à estabilidade financeira e às finanças públicas”.

Gaspar ressaltou que a dívida global de governos, lares e corporações não financeiras somou 226 trilhões de dólares em 2020, um salto de 27 trilhões de dólares ante o ano anterior, o que representa o maior aumento já registrado.

O Fundo destaca que, por trás dos números globais, “há significativa variação em desenvolvimentos fiscais e econômicos entre os países, tanto em meses recentes quanto em termos do que esperar nos próximos anos”. “Essa variação depende de taxas de vacinação [contra a Covid-19] locais, do estágio da pandemia e da capacidade dos governos de acessar empréstimos de baixo custo, fatores que podem exacerbar os efeitos sociais e econômicos desiguais da pandemia”, diz o relatório.

Em suas projeções para o Brasil, o FMI calcula que a dívida pública bruta deve passar de 98,9% do PIB em 2020 para 90,6% neste ano. Já a projeção para a dívida pública líquida brasileira é de 60,7% neste ano. O déficit primário será de 1,6% do PIB neste ano, de 0,8% em 2022 e de 0,4% em 2023. A partir de 2024, o país deverá voltar a registrar superávit primário, segundo o FMI.

O déficit nominal do Brasil, como proporção do PIB, chegará a 6,2% neste ano e 7,4% em 2022. A partir de 2023, deve começar a cair. A trajetória desses indicadores já havia sido indicada em setembro.

O FMI observa que o crescimento mundial está sendo retomado, com projeção de que o PIB global avance 5,9% neste ano, após redução de -3,1% em 2020. Mas o Fundo adverte para incertezas diante do acesso desigual a vacinas e do surgimento de novas variantes do vírus e afirma que há “divergências perigosas” nas expectativas econômicas dos países.

Segundo o relatório, em mercados emergentes e países de baixa renda e em desenvolvimento a trajetória do PIB deve permanecer em níveis mais baixos que as projeções de antes da pandemia, “levando a receitas fiscais reduzidas”.

Autor: Alessandra Corrêa

Fonte: pressreader.com/Folha de S.Paulo