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Petrobras aprova novo presidente

28/06/2022 07h53
Executivo foi indicado por Bolsonaro em meio à ofensiva contra novos reajustes dos combustíveis em ano eleitoral
Petrobras aprova novo presidente

Caio Paes de Andrade foi indicado por Jair Bolsonaro em ofensiva contra reajustes de preços. Ele é o 5.º nome a ocupar o posto no atual governo.

O conselho de administração da Petrobras aprovou ontem a indicação de Caio Paes de Andrade, secretário especial de Desburocratização do Ministério da Economia, para a presidência da estatal. Indicado pela União, o executivo será o quinto a ocupar a vaga no governo Bolsonaro, se levado em conta o interino Fernando Borges. Na reunião, ele foi eleito ainda membro do colegiado, uma pré-condição para assumir o comando da companhia. Segundo fontes, Andrade já deve tomar posse hoje.

Ele foi eleito por sete votos a favor e três contra, para a presidência executiva da Petrobras, e por oito votos a dois para o conselho, e pode ficar na empresa até a próxima Assembleiageral Ordinária (AGO), marcada só para abril de 2023. Petroleiros recorreram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Justiça do Rio de Janeiro questionando a legalidade da nomeação do executivo.

Na última sexta-feira, o Comitê de Elegibilidade (Celeg) da Petrobras deu aval positivo para o nome de Andrade, apesar das indicações de que ele não tem todos os requisitos exigidos pela Lei das Estatais e pelo Estatuto Social da companhia. A ata da reunião, divulgada no sábado, mostra ainda que ele recusou convite do Celeg para uma entrevista formal – o que não é comum no processo de eleição para o cargo, e preferiu responder às perguntas por escrito.

Segundo o relatório, Andrade afirmou que não recebeu nenhuma orientação do governo para segurar preços, principal motivo apontado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro para a nova troca na empresa.

Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que Andrade dará uma “nova dinâmica” à companhia. “Teremos nova dinâmica na questão dos combustíveis. Tudo vai ser analisado na base da lei, sem querer mexer no canetaço na Lei das Estatais, sem querer interferir em nada, mas com muito respeito e muita responsabilidade”, disse ele.

O executivo chega ao cargo após a renúncia de José Mauro Coelho, que deixou a estatal depois da pressão do governo para adiar novos reajustes dos combustíveis. O Planalto teme que a alta dos preços possa minar a campanha à reeleição de Bolsonaro. Segundo apurou o Estadão/broadcast, o próximo passo deve ser uma mexida na composição da diretoria, para conseguir apoio para uma mudança da atual política de preços.

Autor: DENISE LUNA, GABRIEL VASCONCELOS e EDUARDO GAYER

Fonte: pressreader.com/O Estado de S. Paulo