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Israel ataca Gaza e mata líder do Jihad Islâmico

06/08/2022 08h07
País decretou ‘situação especial’, o que permite maior controle da população
Israel ataca Gaza e mata líder do Jihad Islâmico

Israel iniciou uma série de ataques a Gaza, e um dos mortos na operação é Tayseer Jabari, líder do Jihad Islâmico. Em retaliação, o grupo lançou foguetes no território israelense.

Israel iniciou nesta sexta-feira (5) uma série de ataques à Faixa de Gaza, coroando um aumento da tensão nos últimos dias na região. Entre os mortos na operação está Tayseer Jabari, líder do Jihad Islâmico desde 2019.

A escalada foi desencadeada pela prisão de outra das lideranças da organização, Bassam Saadi, realizada em Jenin, na Cisjordânia, no início desta semana. Antes dos ataques desta sexta-feira (5), Israel havia fechado passagens entre o país e a Faixa de Gaza, onde há forte presença do Jihad, sob o temor de retaliações.

O Exército israelense disse que ao menos 15 pessoas morreram e que a operação, apelidada de “Amanhecer”, não terminou com as duas séries de bombardeios desta sexta-feira. Em comunicado, a corporação chamou a ação de cirúrgica e apontou que, além de Jabari, foram atingidos dois esquadrões que disparariam mísseis contra Israel, e bases militares e prédios usados por terroristas.

O Ministério da Saúde de Gaza, faixa controlada pelo grupo Hamas desde 2007, disse que entre os mortos está uma criança de cinco anos e que outras 75 ficaram feridas.

Em retaliação, o Jihad Islâmico afirmou ter disparado mais de cem foguetes contra o território israelense. Sirenes de alerta em cidades próximas a Gaza foram ativadas, e o barulho de bombas pôde ser ouvido por moradores de Tel Aviv, mas o sistema de defesa aérea do país derrubou grande parte dos artefatos, que não deixaram feridos.

Ziad Al-nakhala, outro líder do Jihad Islâmico, disse em entrevista ao canal libanês Al Mayadeen que “não há mais linhas vermelhas” no conflito. “Tel Aviv cairá sob os foguetes da resistência, assim como todas as cidades israelenses.” O grupo, assim como o Hamas, chama a luta contra Israel de resistência.

Em breve comunicado, as Forças de Defesa israelenses também disseram que declararam uma “situação especial”. A designação concede às autoridades mais poderes sobre a população civil com o pretexto de promover a segurança pública, segundo detalhou o jornal The Times of Israel.

Reuniões de pessoas em áreas distantes até 80 quilômetros da Faixa de Gaza foram proibidas, e moradores de regiões próximas à fronteira com o território foram instruídos a permanecer perto de abrigos antiaéreos.

O ministro da Defesa, Benny Gantz, esteve na região ao longo do dia e, no Twitter, disse que “terroristas estão fazendo o povo de Gaza refém”. “Aos nossos inimigos em geral e aos líderes do Hamas e do Jihad Islâmico, digo explicitamente: seu tempo é limitado; a ameaça será removida de uma forma ou de outra”.

O primeiro-ministro Yair Lapid adotou discurso semelhante, afirmando que os ataques visam remover uma ameaça terrorista imediata ao povo israelense. “Nossa luta não é contra o povo de Gaza. O Jihad Islâmico atua por procuração do Irã e quer destruir o Estado de Israel matando inocentes”, afirmou ele.

Tayseer Jabari havia assumido o comando da organização em 2019, após a morte de Baha Abu al-ata. Segundo o jornal The Jerusalem Post, ele é apontado pelo Exército de Israel como mediador entre o Jihad e o Hamas e responsável por comandar o lançamento de centenas de foguetes durante o pico do conflito na região em maio do ano passado. Na ocasião, os ataques que duraram 11 dias mataram ao menos 250 pessoas em Gaza e 13 em Israel.

As Forças de Defesa israelenses disseram em nota que Jabari foi responsável por vários ataques contra civis.

O Jihad Islâmico, que reúne militantes palestinos, foi fundada em Gaza nos anos 1980. Considerada próxima do regime de Teerã, a organização tem ideologia próxima a do Hamas e atua em conjunto com o grupo que controla a região, ainda que tenha estrutura própria. Os EUA e a União Europeia a consideram um agrupamento terrorista.

A morte de Jabali atraiu milhares de pessoas para um funeral, que contou com protestos contra Israel. Multidões também se dirigiram para padarias e mercados para estocar mantimentos —a região ainda sofre diversos gargalos econômicos e de infraestrutura, que incluem tanto cortes de energia quanto racionamento de combustível.

Com o risco de represálias e sob a expectativa de confrontos prolongados, Israel mobilizou 25 mil reservistas.

O enviado das Nações Unidas para a região, Tor Wennesland, fez um alerta para o que considera uma escalada perigosa de tensões e exortou para que os ataques com foguetes cessem imediatamente. A Presidência palestina, com sede na Cisjordânia, condenou a o que chamou de agressão israelense, enquanto o Egito destacou que tenta uma mediação entre os dois lados.

Ao jornal The Times of Israel uma autoridade do Jihad Islâmico disse que diálogos seriam iniciados apenas no próximo domingo (7). Assim, espera-se que os ataques continuem nas próximas 48 horas.

Em abril deste ano, Israel fechou para comerciantes e trabalhadores sua única passagem com a Faixa de Gaza, depois que militantes lançaram três foguetes. A decisão afetou milhares de palestinos nesse território empobrecido, submetido a bloqueio há mais de 15 anos —Israel controla todas as entradas e saídas do enclave que abriga cerca de 2,3 milhões de pessoas.

Dois meses antes, a organização Anistia Internacional alertou para o que chamou de apartheid do governo de Israel contra palestinos. Pareceres semelhantes foram divulgados por outras entidades, como as Nações Unidas.

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Fonte: pressreader.com/Folha de S.Paulo