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Hemorragia no sistema digestivo leva Covas à UTI

04/05/2021 08h26
Em tratamento contra o câncer desde 2019, prefeito se licenciou do cargo por 30 dias, no domingo; tucano segue em observação
Hemorragia no sistema digestivo leva Covas à UTI

O prefeito licenciado de SP, Bruno Covas (PSDB), foi internado ontem na UTI do Hospital Sírio-libanês e chegou a ser intubado após exames detectarem uma hemorragia na cárdia, válvula entre o esôfago e o estômago. Covas enfrenta câncer metastático que atinge órgãos do sistema digestivo e, no mês passado, chegou aos ossos.

O prefeito licenciado de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), foi transferido, ontem pela manhã, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-libanês, na capital, onde foi intubado após exames detectarem uma hemorragia na cárdia. Covas enfrenta, desde outubro de 2019, um câncer metastático que atinge o sistema digestivo e, no mês passado, chegou aos ossos. O primeiro tumor havia sido detectado justamente na cárdia, válvula entre o esôfago e o estômago. Segundo a equipe médica, o tucano foi extubado no final da tarde e segue em observação.

Covas decidiu, no domingo, se afastar da Prefeitura pelo período de um mês para se dedicar ao tratamento, seguindo aconselhamento da equipe médica. Ele foi internado após relatar fraqueza e dor. O vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB), já assumiu o cargo de forma interina (mais informações nesta página). “Covas confia em mim”, disse ao Estadão, pela manhã.

Segundo o oncologista Tulio Pfiffer, que faz parte da equipe que acompanha o prefeito, o sangramento na cárdia foi identificado durante uma endoscopia solicitada para pesquisar a origem de uma anemia, que tem contribuído para Covas sentir-se fraco. O prefeito foi sedado e intubado antes de ser submetido ao exame. Segundo o especialista, esse é o processo rotineiro para que as vias aéreas sejam protegidas em casos dessa natureza.

Após ser tratado com “medidas de hemostasia local”, que estancaram o sangramento, Covas foi então encaminhado à UTI ainda intubado. “Ele foi transferido por zelo e para ser avaliado de perto”, disse Pfiffer. Ele explicou que a sedação seria retirada de forma gradativa até ele acordar, conforme a evolução do quadro. Ainda de acordo com Pfiffer, o sangramento se deu no local da primeira lesão, ou seja, na cárdia, estrutura que funciona como uma válvula e fica perto do coração. O médico, no entanto, afirmou que o fato de o sangramento ter ocorrido no local do primeiro tumor “não significa necessariamente” nova piora da doença.

Também integrante da equipe médica, o infectologista David Uip afirmou que o sangramento ocorreu especificamente numa úlcera localizada na cárdia, que surgiu após o tratamento do tumor. Ao Estadão,o ex-secretário estadual da Saúde de São Paulo afirmou que Covas está preocupado como a evolução da doença, assim como seus amigos e médicos. “Um tumor que sangra preocupa mesmo”, disse o infectologista. Segundo David Uip, o prefeito foi extubado à tarde, como planejado pela equipe médica, e segue em observação.

Tratamento. Por causa da nova complicação no quadro do prefeito, não é possível prever quando o tucano deve deixar a UTI ou mesmo retomar o tratamento contra o câncer, que teve de ser postergado. Covas tinha a internação programada, ontem, para dar continuidade ao tratamento. O procedimento inclui uma combinação de quimioterapia e imunoterapia.

Diante dos efeitos adversos do processo, Covas decidiu se licenciar – em abril, ele ficou 12 dias internado no Sírio após descobrir uma evolução do câncer, que além de atingir ao menos cinco pontos do fígado, também se espalhou para ossos da bacia e da coluna. Um acúmulo de líquidos ao redor do pulmão e do abdômen, enfrentado com uso de um dreno, adiou sua alta, ocorrida apenas no dia 27.

Clima. Na Prefeitura, o clima é de tristeza. Apesar de considerado bastante fechado, Covas é querido entre os funcionários do gabinete, que acreditam na disposição do prefeito em vencer mais essa etapa da doença. No domingo, o tucano agradeceu o apoio que tem recebido pelas redes sociais. Afirmou ainda que a vida tem lhe “apresentado enormes desafios” e que agora, diante dos novos focos da doença, seu corpo “está exigindo mais dedicação ao tratamento, que entra numa fase muito rigorosa”.

“Ele foi transferido por zelo e para ser avaliado de perto. A sedação será tirada de forma gradativa até ele (Covas) acordar.” Tulio Pfiffer ONCOLOGISTA

“Um tumor que sangra preocupa mesmo.” David Uip INFECTOLOGISTA

Autor: Adriana Ferraz Bruno Ribeiro

Fonte: pressreader.com/O Estado de S. Paulo