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Ex-vereador suspeito no caso Marielle é preso

31/07/2021 10h14
Detido em SP, Cristiano Girão é acusado de participar, em 2014, de outro duplo homicídio no Estado, o que motivou o pedido de prisão
Ex-vereador suspeito no caso Marielle é preso

A Polícia Civil do Rio prendeu ontem o ex-vereador carioca Cristiano Girão Martins, de 49 anos, suspeito do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Girão é acusado de ser o mandante de um duplo homicídio praticado em 14 de junho de 2014 – o que motivou o pedido de prisão.

As vítimas foram André Henrique Souza, conhecido como Zóio, e sua mulher Juliana Oliveira. Segundo a polícia, Zóio tentava tomar de Girão o comando da milícia que atua na Gardênia Azul, na zona oeste. Por isso foi assassinado. Policiais concluíram que a mulher morreu por estar com o marido no momento do crime.

Bombeiro militar eleito vereador em 2008, Girão foi acusado no ano seguinte de ser chefe da milícia da Gardênia Azul. Foi preso e condenado por formação de quadrilha – e só ficou livre em agosto de 2017. Ele morava com a mulher no Pari, na região central de São Paulo, onde foi preso ontem. O advogado Zoser Hardman de Araújo, que defende Girão, disse que considerou estranho o fato de a prisão ter sido decretada por um fato ocorrido sete anos atrás e vai recorrer para que seu cliente responda ao processo em liberdade.

A prisão não tem ligação com o caso Marielle, mas pode facilitar a busca por provas do envolvimento do ex-vereador no assassinato da vereadora e de seu motorista. Há três elementos que supostamente ligam os dois crimes. Nenhum deles, porém, é capaz de confirmar a hipótese de que Girão seja o mandante do duplo homicídio.

Um dos supostos indícios, segundo a polícia, é que a autoria é do sargento reformado da PM Ronnie Lessa, que responde pelos homicídios de Marielle e Anderson, em cumplicidade com Elcio Queiroz. Lessa, que está preso desde março de 2019 pelo crime contra a então vereadora, teve nova ordem de prisão cumprida ontem pela acusação de ser o executor do assassinato de Zóio e da mulher dele, a mando de Girão.

Outro suposto indício é que os dois crimes foram cometidos de forma semelhante. Em 2014, o carro em que estavam as duas vítimas foi seguido por um Fiat Doblò prata, que o interceptou em frente à associação de moradores da Gardênia Azul. Foram disparados 40 tiros de fuzil M-16 contra os dois ocupantes, que morreram. Em 14 de março de 2018, um Cobalt prata seguiu o carro onde estava Marielle. Emparelhou com o veículo da vereadora no Estácio, onde foram disparados os tiros de uma submetralhadora HK-MP5 que mataram Marielle e Anderson.

Em proposta de delação premiada feita recentemente, Julia Lotufo, viúva do ex-capitão da PM Adriano da Nóbrega, disse ter ouvido do marido que Girão era o mandante do crime. Capitão Adriano, como era conhecido, era ligado a uma milícia e a uma quadrilha de matadores do Rio conhecida como Escritório do Crime, e foi morto em 2020 durante suposto confronto com a polícia na Bahia.

Antes mesmo de surgirem os três elementos, o nome de Girão já havia sido apontado como suspeito porque ele esteve na Câmara uma semana antes do crime. O ex-vereador nega qualquer envolvimento com a morte de Marielle e seu motorista, e diz que em março de 2018 foi ao centro do Rio para acompanhar a mulher em consultas médicas e passou pela Câmara para visitar ex-colegas. Diz ainda que, na noite do crime, estava em uma churrascaria.

Autor: Fábio Grellet Marcio Dolzan

Fonte: pressreader.com/O Estado de S. Paulo