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Empresas cobram dos EUA aval a fundo para florestas

10/05/2022 07h42
Pedido para preservar florestas será enviado a Joe Biden em nome do setor privado, organizações e povos indígenas do Brasil
Empresas cobram dos EUA aval a fundo para florestas

Uma carta assinada por empresas, organizações da sociedade civil e povos indígenas brasileiros será enviada, nesta terça-feira, ao presidente americano Joe Biden e a membros dos partidos Democrata e Republicanos dos Estados Unidos. O grupo pede que o Congresso americano aprove a criação de um fundo de US$ 9 bilhões para a conservação de florestas tropicais pelo mundo, que está em debate no Legislativo daquele país.

O documento tem 23 signatários, incluindo Agropalma, BVRIO e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, entidade que representa 327 empresas, bancos e instituições de diversos setores. Entre eles estão Bradesco, Bayer, BRF, Cargill, FSC Brasil, Gerdau, Itaú Unibanco, Klabin, Marfrig, Natura, Nestlé, Santander, Suzano, Unilever, Vale e WWF Brasil.

O acesso ao financiamento deve ser prioritário para os povos da floresta, “que contribuem historicamente para sua conservação e tem seu modo de vida diretamente afetado pela escalada do desmatamento”, diz a carta. Os recursos, vinculados ao Departamento de Estado americano, podem ser destinados em acordos bilaterais de longo prazo a países em desenvolvimento para combater o desflorestamento e reduzir o efeito estufa.

Para Tulio Dias Brito, diretor de sustentabilidade da Agropalma, empresa que produz óleo de palma, o momento é oportuno para que países como o Brasil, que podem se beneficiar do novo fundo, se manifestem. O objetivo é mostrar que há interesse e ações viáveis nessas nações. “É um projeto que está tramitando no Congresso americano e que beneficia diretamente outros países. Então, eles precisam se manifestar”, disse.

“Esse investimento deve ser feito da forma mais eficiente e transparente possível com o objetivo de manter a floresta em pé. A carta fala sobre isso e ressalta a importância do que entendemos que a prioridade de repasse de recursos se dê para as comunidades tradicionais, as mais afetadas pelas mudanças climáticas”, diz André Guimarães, membro da Coalizão Brasil e diretor executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

O fundo foi anunciado por Biden em novembro, na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26). Durante a convenção, líderes de mais de 100 países se comprometeram a deter e reverter o desmatamento e degradação de terras até 2030. No dia seguinte, o deputado democrata Steny Hoyer apresentou o projeto de lei Amazon21 Act (America Mitigating and Achieving Zeroemissions Origining from Nature for the 21st Century Act), que cria o fundo. •

Recurso e destinação

Verba pode vir de acordos bilaterais de longo prazo para combater desmate e reduzir efeito estufa

Autor: EMILIO SANT’ANNA

Fonte: pressreader.com/O Estado de S. Paulo