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Com temperaturas baixas, capitais reforçam abrigos

18/05/2022 08h10
Pessoas em situação de rua recebem sopa na praça da Sé, em São Paulo
Com temperaturas baixas, capitais reforçam abrigos

A semana mais gelada de 2022 bateu recorde ontem e fez as capitais anteciparem campanhas do agasalho e reforçarem a abordagem a pessoas em situação de rua. A previsão para os próximos dias é a de que o ciclone subtropical que atinge o Sul chegue ao Sudeste e ao CentroOeste do país.

Semana mais gelada deste ano deve derrubar temperaturas de cidades do Centro-Oeste, como Cuiabá

CURITIBA, RIO DE JANEIRO, BELO HORIZONTE, PORTOALEGREESÃO PAULO Desde julho de 2021 os brasileiros não sentiam tanto frio. A semana mais gelada de 2022 bateu recorde nesta terça-feira (17) e fez as capitais anteciparem campanhas do agasalho e reforçarem a abordagem a pessoas em situação de rua.

Para aos próximos dias, a previsão é de que o ciclone subtropical que atinge o Sul chegue ao Sudeste e ao Centro-Oeste do país, onde as temperaturas vão cair ainda mais.

Em Santa Catarina, a neve movimentou o turismo e trouxe sensação térmica de -16°C, em Urupema. No Rio Grande do Sul, aulas foram canceladas pela chegada da tempestade Yakecan, com ventos de até 80 km/h, que levaram um barco a colidir com pedras e afundar, no lago Guaíba, em Porto Alegre. Um dos três homens a bordo morreu. Segundo o Inmet, nevou nas cidades gaúchas de São José dos Ausentes e Cambará do Sul.

No Rio de Janeiro, um temporal assustou moradores e uma chuva de granizo caiu na zona norte. A cidade está em estágio de mobilização, com risco de novas tempestades.

De acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), nesta quarta-feira (18), além da serra catarinense, Guarapuava (PR) e Monte Verde (MG) podem chegar a -1°C. “Não descartamos possibilidade de geada em Brasília, na quinta”, diz o meteorologista do Inmet, Franco Villela. O órgão apontou que a sensação térmica em São Paulo também pode ser negativa nesta quarta —a mínima deve ser de 6ºC na cidade. Ele explica que as baixas temperaturas foram provocadas por uma sucessão de ciclones vindos do oceano, associados ao ar frio do sul, entre a costa da Argentina e a do Brasil.

As baixas temperaturas devem chegar a cidades normalmente quentes, como Rio Branco e Porto Velho. Entre elas, Cuiabá será a mais fria: 7°C na quinta-feira (19).

A Prefeitura de Porto Alegre adiantou parte dos esforços que estavam previstos para a chamada Operação Inverno, que começaria oficialmente em 4 de junho.

Desde segunda-feira (16), 12 equipes percorrerão as ruas até as 22h fazendo “busca ativa”, em que pessoas em situação de rua são abordadas e, se assim desejarem, transportadas para albergues, abrigos e pousadas conveniadas à Secretaria de Desenvolvimento Social.

Conforme o secretário da pasta, Léo Voigt, Porto Alegre enfrentará o inverno de 2022 com a capacidade de acolhimento na rede municipal ampliada em 60% graças à cobertura vacinal contra a Covid, o que permitiu o retorno do distanciamento normal entre as camas em albergues e abrigos.

No Rio de Janeiro, cujos termômetros devem marcar mínima de 17°C na semana, segundo o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), a prefeitura já montou um esquema especial para ajudar pessoas em situação de rua. A Secretaria de Assistência Social antecipou em um mês a campanha do agasalho para receber a partir desta terça (17) doações em três centros municipais da cidade.

A ideia é oferecer nesses locais alimentação, água e itens para combater o frio, como roupas, calçados e cobertores.

Além disso, as três unidades funcionarão 24 horas por dia para atender pessoas em situação de rua e encaminhálas aos abrigos da prefeitura. Atualmente, há 2.600 vagas disponíveis e a previsão é de que sejam criadas mais 166.

Curitiba registrou 91 atendimentos a pessoas em situação de rua somente no domingo (15) e na madrugada desta segunda-feira (16). Com o frio intenso, a prefeitura reforçou as ações de abordagem nas ruas e acolhimento em abrigos, nos quais é possível tomar banho, alimentar-se e dormir. Aqueles que não aceitam o encaminhamento recebem agasalhos e cobertores.

Há também a ajuda de voluntários e ONGs que desenvolvem ações pontuais, como distribuição de comida, roupas e bebidas quentes. É o que fará o grupo Itinerante Resistência.

“Tudo vem de doação, e todos são voluntários. Na praça Tiradentes, entregamos marmita no jantar e, nas principais ruas e avenidas, onde eles estão, entregamos café, sanduíches e bolos”, diz a fundadora do grupo, Tatiane Dorte.

Em Belo Horizonte, a previsão de chegada de onda de frio fez com que a prefeitura adotasse um plano de contingência para atendimento à população de rua da capital.

A estratégia prevê a intensificação da atuação de equipes do serviço especializado de abordagem social que atuam nas nove regionais da capital.

As equipes farão abordagens a moradores de rua principalmente à noite, com orientações para o período, encaminhamento para unidades de acolhimento e entrega de cobertores.

Nas unidades de acolhimento foi criado sistema de monitoramento de ocupação das vagas, havendo a possibilidade de ampliação do atendimento. O município tem 600 vagas diárias de acolhimento na modalidade casa de passagem com alimentação, higienização, guarda de pertences e pernoite.

Na área da saúde, o protocolo atual é o transporte para as UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) de moradores de rua encontrados pelas equipes do serviço social com hipotermia. O transporte será feito via unidades do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência).

“Tudo vem de doação, e todos são voluntários. Na praça Tiradentes, entregamos marmita no jantar e, nas principais ruas e avenidas, onde eles estão, entregamos café, sanduíches e bolos

Tatiane Dorte fundadora do grupo Itinerante Resistência, que acolhe pessoas em situação de rua em Curitiba

Autor: Mauren Luc, Matheus Rocha, Leonardo Augusto, Caue Fonseca e Isabela Menon

Fonte: pressreader.com/Folha de S.Paulo