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Cinemateca: após 1 ano e 3 meses fechado, laboratório de restauro e preservação está comprometido devido a vazamentos no telhado

14/01/2022 08h41
Nova diretoria da Sociedade Amigos da Cinemateca avalia danos para reabertura do espaço. Cinemateca estava fechada há quase um ano e meio, depois que governo federal encerrou contrato com Fundação Roquette Pinto, em 2019.
Cinemateca: após 1 ano e 3 meses fechado, laboratório de restauro e preservação está comprometido devido a vazamentos no telhado

Depois de quase um ano e meio fechado, e sem a manutenção adequada, o laboratório de restauro e preservação de filmes da Cinemateca Brasileira está comprometido por causa dos vazamentos causados pela chuvas, com o telhado cheio de buracos. É o que aponta a nova direção, comandada pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC), que assumiu nesta quinta-feira (13) a administração da instituição.

Telhado do laboratório de restauro e preservação de filmes da Cinemateca Brasileira, que está com goteiras — Foto: Reprodução/GloboNews

No local, que não é aberto ao público, estão equipamentos de alta tecnologia que seriam utilizados para a avaliação dos materiais atingidos pelo incêndio do ano passado. A instituição, que tem o maior acervo audiovisual da América do Sul, ficou totalmente fechada após o governo federal encerrar o contrato com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) em 31 de dezembro de 2019.

“A Cinemateca tem vários prédios, ela é muito grande. Não encontramos problemas em todos os lugares. A limpeza da parte externa, do jardim, a manutenção predial, isso foi feito. Mas teve um problema grave que eles não conseguiram resolver e que agora obviamente passou para a nossa responsabilidade: o telhado", diz Maria Dora Mourão, diretora-executiva da Associação Amigos da Cinemateca, responsável pelo plano emergencial que permitiu o início dos trabalhos.

"O prédio da sede tem mais ou menos uns 100 metros de comprimento e está com problemas de vazamento gravíssimos", diz ela. "No laboratório de restauro, estão equipamentos extremamente importantes, alguns de alta tecnologia. Aqui tinha muita sujeira, muito mofo e a água da chuva descia do telhado pelas paredes, que estão todas mofadas. Descia pelos conduítes de eletricidade. Nós ficamos muito tempo sem acender absolutamente nenhuma luz, com medo do que podia acontecer”, completa.

 

O último incêndio

 

Durante todo o primeiro semestre de 2020, quem cuidou do espaço foram os antigos funcionários, mesmo sem receber salário. Segundo Maria Dora, não tinham recursos nem sequer para o básico, como pagar contas de água e luz. O Ministério Público Federal chegou a entrar com ação na Justiça, por abandono, mas nada foi feito até que, em 29 de julho de 2021, um galpão, anexo à Cinemateca, em outro espaço fora da sede, pegou fogo.

O incêndio causou inúmeros prejuízos, além da perda de parte do acervo. No entanto, este balanço ainda não foi concluído já que a nova gestão só pôde entrar no espaço, pela primeira vez, em 29 de dezembro do ano passado. À primeira vista, Maria Dora conta que cerca de 250 mil rolos de filmes estão preservados, inclusive a parte que é feita de nitrato, material altamente inflamável, mas ainda é preciso levar todo este material para a sede, para que possa ser avaliado e recuperado.

“A grande geladeira, que tem mais de 200 mil latas, isso eles tomaram cuidado com a climatização e a desumidificação, não houve perda. Sobre o material do galpão, tudo que está lá, que não foi atingido pelo incêndio, vai ser transferido para a sede”, explica.

A diretora-executiva relembra que, no caso do prédio da Vila Leopoldina, foram dois grandes desastres. O último foi o incêndio, mas também houve inundações que criaram problemas e atingiram filmes, por isso a necessidade de reestruturar o laboratório de restauro e preservação.

 

Retomada

 

Agora, a expectativa é que a reabertura aconteça entre abril e maio, ainda que com limitações de acesso ao público. Para isso, é preciso contratar mais funcionários. “Chegamos a ter 130 colaboradores. Entramos com 20, já estamos analisando quantos mais podemos contratar em função do dinheiro que recebemos. Imaginamos que podemos de imediato contratar, talvez, entre 10 e 15 pessoas e aí, pouco a pouco, vamos recuperar o número de colaboradores”, explica Maria Dora.

Autor: Elisabete Pacheco e Cristiane Paião, GloboNews

Fonte: g1.globo.com