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Bolsonaro se reúne com presidente do Paraguai no Planalto

24/11/2021 17h54
Brasil deseja aval do Paraguai para criar tilápias na hidrelétrica de Itaipu. Político conservador, Mario Abdo Benítez já teve outros dois encontros com Bolsonaro.
Bolsonaro se reúne com presidente do Paraguai no Planalto

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta quarta-feira (24) no Palácio do Planalto com o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez.

Conforme a agenda de Bolsonaro, os ministros Carlos França (Relações Exteriores) e Bento Albuquerque (Minas Energias) também participariam da audiência.

Antes do encontro, Bolsonaro afirmou que o governo brasileiro tem interesse em criar tilápias no reservatório da usina hidrelétrica de Itaipu (PR), cuja administração é dividida entre os dois países. Segundo o presidente, é preciso o aval do Paraguai para que a psicultura seja liberada no local.

"Vamos continuar conversando porque depende do parlamento deles a psicultura no espelho d'água da represa. Se der o sinal verde do Congresso dele, acho que vai ter. Nós vamos aumentar em 40% nossa produção de pescado, criando tilápia naquela região", disse Bolsonaro.

Presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, e presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (24). — Foto: Guilherme Mazui/g1

Após a reunião, os presidentes Jair Bolsonaro e Mario Abdo Benítez participaram de uma entrevista coletiva. Na ocasião, Bolsonaro disse que foram tratados na audiência diversos temas, entre eles, as negociações para a revisão do tratado de Itaipu, a ligação entre os dois países por pontes sobre o rio Paraguai, a criação de peixes no lago da usina de Itaipu e o combate ao crime organizado.

"Esta visita de serviço vem o nobre presidente do Paraguai tratar de vários assuntos. Como, por exemplo, estaremos, se Deus quiser, concluindo a segunda ponte com o Paraguai em meados do ano que vem. Também, nos próximos dias, estaremos em Carmelo Peralta, Porto Murtinho, assinando a segunda ordem de serviço da terceira ponte com o Paraguai, veio o senhor presidente da nação amiga tratar do anexo C de Itaipu binacional, também outros assuntos tratamos, como, por exemplo, daremos mais um passo na questão de criação de tilápia no lago de Itaipu", disse Bolsonaro.

O presidente brasileiro também disse que o "intercâmbio comercial" entre o Brasil e o Paraguai "tem ido muito bem" e "vai ficar cada vez melhor".

"Tratamos também da questão do crime organizado. O Paraguai tem nos ajudado e muito nessa questão. Inauguramos há pouco mais um radar lá em Ponta Porã, que basicamente toda nossa fronteira está blindada com esse radar. Então, o nosso posicionamento, o nosso intercâmbio comercial tem ido muito bem e vai ficar cada vez melhor", afirmou Bolsonaro.

Abdo também destacou a relação entre os dois países e ressaltou a importância das tratativas para assinar as ordens de serviço da construção de uma nova ponte na fronteira, desta vez, entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e o município paraguaio de Carmela Peralta, no departamento de Alto Paraguai.

Segundo Abdo, essa ponte fará parte da rota bioceânica, ligação terrestre entre Atlântico e Pacífico, e será importante para fortalecer as economias de Brasil e Paraguai.

Abdo também relatou, sem dar detalhes, que houve avanço nas discussões sobre a revisão do anexo C do tratado que viabilizou a construção da hidrelétrica de Itaipu, administrada em conjunto pelos dois países. O anexo C trata dos termos financeiros da hidrelétrica binacional e deve ser revisado até 2023.

Mario Abdo

 

Candidato conservador, Abdo foi eleito em 2018 para presidir o Paraguai e mantém uma boa relação com Bolsonaro, de direita e crítico de governos de esquerda na região, a exemplo da Argentina. Bolsonaro costuma chamar o presidente do Paraguai de "Marito".

Mario Abdo já esteve com Bolsonaro no Planalto em 2019. Os dois líderes também tiveram um encontro em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira entre os países, no ano passado. Brasil e Paraguai integram o Mercosul ao lado de Argentina e Uruguai.

Autor: Guilherme Mazui e Pedro Henrique Gomes, g1

Fonte: g1.globo.com