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Bolsonaro diz que derrubará uso obrigatório de máscara

11/06/2021 09h36
Presidente pediu a ministro parecer para liberar vacinado e infectado, mas não detalha como pretende reverter as leis que exigem o uso
Bolsonaro diz que derrubará uso obrigatório de máscara

O presidente Jair Bolsonaro pediu ontem ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um parecer desobrigando pessoas vacinadas ou contaminadas de usarem máscaras. A proteção evita a propagação do vírus, que é transmitido pelo ar. Queiroga, que assumiu o cargo falando em um “país de máscaras”, disse não haver prazo para a entrega do estudo.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem ter conversado com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para que seja preparado um parecer desobrigando pessoas vacinadas ou contaminadas de usarem máscaras.

“Acabei de conversar com um tal de Queiroga. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscaras por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar este símbolo (segurando uma máscara descartável na mão), que tem a sua utilidade para quem está infectado”, disse Bolsonaro, em um evento oficial, sob aplausos.

O presidente usava a proteção ao chegar ao evento, mas a retirou ao iniciar o discurso. No mesmo evento, Bolsonaro repetiu as críticas ao protocolo do Ministério da Saúde que orienta pessoas contaminadas a ficarem em casa. “A quarentena é para quem está infectado.”

A obrigatoriedade do uso de máscara em locais públicos, como comércios, escolas e igrejas, foi aprovada no ano passado pelo Congresso. Bolsonaro chegou a vetar a lei, mas os parlamentares derrubaram o veto. Em alguns Estados, como São Paulo, a pessoa que for flagrada sem a proteção pode ser multada. Anteontem, o governador João Doria (PSDB) lembrou o fato ao destacar a contrariedade do Estado em relação a manifestações políticas de qualquer ordem neste momento de alta de casos. “Se o presidente Jair Bolsonaro participar de um movimento de rua, seja qual for a razão ou o motivo, e não usar máscara, ele será multado.”

No evento de ontem, Bolsonaro não detalhou se o parecer solicitado ao Ministério da Saúde seria apenas recomendação ou se pretende propor uma nova legislação a respeito do tema. No caso, essa necessitaria de aval do Congresso.

Queiroga que assumiu falando em um “país de máscaras”, disse nas redes sociais que “recebeu o pedido do presidente para produzir um estudo que trate da flexibilização do uso de máscaras, conforme o avanço da vacinação no País”. E afirmou que o presidente está feliz com o ritmo atual de imunização. Mais cedo, indagado pela CNN se havia sido pressionado, disse que “o presidente não me pressiona” e não há prazo para o estudo. “Trabalhamos em absoluta sintonia.”

OMS. Após os primeiros países dispensarem o uso de máscaras, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em maio, se mostrou contrária. A dispensa deveria acontecer só quando não há mais transmissão comunitária da doença e não dependeria apenas da vacinação. “A pandemia não terminou, há muita incerteza com as novas variantes e precisamos manter os cuidados básicos", afirmou a líder técnica, Maria van Kerkhove.

“No cenário que a gente tem no Brasil, com a transmissão descontrolada, leitos de UTI lotados, iminência de uma terceira onda e porcentagem muito baixa de pessoas vacinadas, é fundamental que a gente reforce e redobre a atenção, fornecendo até máscaras de melhor qualidade”, diz Vitor Mori, do Observatório Covid-19 BR. “Os efeitos da vacina se dão principalmente na redução da circulação do vírus.” Hoje, o Brasil tem só 24,93% da população com a primeira dose, conforme os dados do consórcio da imprensa.

Autor: Gustavo Côrtes Pedro Caramuru / BRASÍLIA COLABOROU ÍTALO LO RE /

Fonte: pressreader.com/O Estado de S. Paulo