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Biden anuncia sanções a autoridades cubanas

31/07/2021 10h15
Segundo papéis entregues a congressistas e obtidos pelo ‘New York Times’, ex-presidente telefonou a funcionários de alto escalão do departamento e insistiu para que declarassem fraude, mesmo não tendo encontrado evidências, e ameaçou destituí-los
Biden anuncia sanções a autoridades cubanas

O ex-presidente americano Donald Trump pressionou funcionários de alto escalão do Departamento de Justiça no fim do ano passado a declararem que a eleição de 3 de novembro foi fraudada, embora eles não tivessem encontrado evidências de fraude generalizada.

A intenção de Trump seria usar essas alegações do Departamento de Justiça para que ele e seus aliados no Congresso pudessem anular os resultados da eleição, segundo novos documentos fornecidos aos congressistas americanos e obtidos pelo jornal The New York Times.

Os pedidos são mais um exemplo de um presidente interferindo em uma agência que normalmente é independente da Casa Branca para promover sua agenda pessoal. Eles também são o exemplo mais recente da ampla campanha de Trump durante suas últimas semanas no cargo para deslegitimar os resultados eleitorais.

Os pedidos foram feitos durante um telefonema em 27 de dezembro no qual Trump pressionou o secretário de Justiça da época, Jeffrey Rosen, e seu vice, Richard Donoghue, sobre as alegações de fraude eleitoral, que o departamento havia rejeitado. Donoghue advertiu que o Departamento de Justiça não tinha poder para alterar o resultado da eleição. Trump respondeu que não esperava isso, segundo as anotações que Donoghue fez para lembrar a conversa. “Basta dizer que a eleição foi fraudada, deixe o resto comigo” e com os aliados do Congresso, Donoghue escreveu, resumindo a resposta de Trump.

Trump não deu nome aos legisladores aliados, mas em outros momentos durante a ligação ele mencionou o deputado Jim Jordan, de Ohio, a quem descreveu como um “lutador”; o deputado Scott Perry, da Pensilvânia, que na época promoveu a ideia de que a eleição foi roubada de Trump; e o senador Ron Johnson, de Wisconsin, a quem Trump elogiou por “chegar ao fundo das coisas”.

O Departamento de Justiça forneceu as anotações de Donoghue à Comissão de Supervisão e Reforma da Câmara, que está investigando os esforços do governo Trump para reverter ilegalmente os resultados eleitorais.

As anotações conectam os aliados de Trump no Congresso com sua campanha para pressionar os funcionários do Departamento de Justiça a ajudar a minar, ou mesmo anular, os resultados eleitorais. Os legisladores não responderam aos pedidos de comentários feitos pelo Times. Jordan votou para anular os resultados das eleições em Estados-chave, mas minimizou seu papel na campanha de pressão do presidente. Perry continua a afirmar que Trump venceu as eleições, mas não está vinculado aos esforços da Casa Branca para mantê-lo no cargo. E Johnson, cuja campanha Trump recentemente endossou, afirma que “é razoável ter dúvidas sobre a integridade da eleição”, embora tenha reconhecido Joe Biden como presidente.

Normalmente, o Departamento de Justiça tenta manter em segredo qualquer relato de discussões privadas entre um presidente e seu gabinete. Mas entregar as anotações ao Congresso é parte de um padrão adotado para permitir o escrutínio dos esforços de Trump para anular a eleição. O Departamento de Justiça de Biden também disse a Rosen, Donoghue e outros ex-funcionários nesta semana que eles poderiam dar testemunho irrestrito aos investigadores das Comissões de Supervisão e Reforma da Câmara e do Senado.

O departamento argumentou que os investigadores do Congresso estavam examinando possíveis delitos cometidos por um presidente em exercício, uma circunstância extraordinária, segundo cartas enviadas aos ex-funcionários.

“Essas notas manuscritas mostram que o presidente Trump instruiu diretamente a principal agência de aplicação da lei de nosso país a tomar medidas para derrubar uma eleição livre e justa nos últimos dias de sua presidência”, disse a deputada Carolyn Maloney, democrata de Nova York e presidente da Comissão de Supervisão e Reforma da Câmara.

A conversa de Trump com Rosen e Donoghue refletiu seu foco obstinado em reverter os resultados eleitorais. Em um ponto, Trump alegou “fraude eleitoral na Geórgia, Michigan, Nevada e Arizona”, que ele chamou de “eleições corrompidas”. Donoghue retrucou.

“Muitas das informações que você está recebendo são falsas”, disse Donoghue, acrescentando que o departamento conduziu “dezenas de investigações, centenas de entrevistas” e não encontrou evidências para apoiar suas afirmações. “Analisamos as alegações, mas elas estão incorretas”, disseram as autoridades a Trump, segundo as anotações.

Trump, sem se intimidar, descartou as descobertas do departamento. Trump pediu a Donoghue que viajasse ao Condado de Fulton para verificar as assinaturas nas cédulas. As pessoas “dizendo que a eleição não foi fraudada são corruptas”, disse Trump às autoridades, acrescentando que elas precisavam agir. “Não resta muito tempo.”

Ele disse que “as pessoas estão com raiva” – culpando o Departamento de Justiça por inação. “As pessoas me dizem que Jeff Clark é ótimo, eu deveria colocá-lo no cargo”, referindose ao chefe interino da divisão civil do Departamento de Justiça, que também encorajou funcionários do departamento a intervir na eleição. “As pessoas querem que eu substitua a liderança do Departamento de Justiça.”

“Você deve ter a liderança que deseja”, respondeu Donoghue. “Mas isso não mudará a posição do Departamento.” Donoghue e Rosen não sabiam que o deputado Scott Perry, da Pensilvânia, aliado de Trump, havia apresentado Clark e Trump. Exatamente uma semana depois, eles se viram forçados a lutar por seus empregos em um confronto no Salão Oval com a presença de Clark.

Autor: NYT

Fonte: pressreader.com/O Estado de S. Paulo