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Atriz que teve bebê após estupro levanta questão da entrega à adoção

27/06/2022 08h06
Klara denunciou que seu direito a sigilo foi desrespeitado
Atriz que teve bebê após estupro levanta questão da entrega à adoção

Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo vai apurar denúncia de Klara Castanho sobre violação de sigilo.

No sábado, a atriz Klara Castanho revelou ter engravidado após estupro e entregado a criança à adoção. Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), “a gestante ou mãe que manifeste interesse em entregar seu filho para adoção, antes ou logo após o nascimento, será encaminhada à Justiça”. Para proteção da criança e da gestante, o processo corre em sigilo.

Klara, porém, denuncia ter tido esse direito desrespeitado. “No dia em que a criança nasceu, eu, ainda anestesiada, fui abordada por uma enfermeira que estava na sala de cirurgia. Ela fez perguntas e ameaçou: ‘Imagina se tal colunista descobre essa história’.” Ao chegar ao quarto, deparouse com mensagens do colunista, com todas as informações. Um segundo blogueiro a buscou também dias depois. “Apenas o fato de eles saberem mostra que os profissionais que deveriam ter me protegido em um momento de extrema dor e vulnerabilidade, que têm a obrigação legal de respeitar o sigilo da entrega, não foram éticos nem tiveram respeito por mim nem pela criança”, desabafou a atriz.

Ontem, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo declarou que vai apurar a denúncia. “A gestante tem direito de não exercer a maternidade. Tendo sido ou não vítima de estupro”, destaca o advogado Ariel de Castro Alves, presidente da Comissão Especial de Adoção e Direito à Convivência Familiar de Crianças e Adolescentes da OAB-SP. A previsão legal da entrega, diz, é importante “para evitar procedimentos de aborto e situações de abandono”. “E a maioria dos pretendentes à adoção, em torno de 30 mil no Cadastro Nacional, prefere crianças com menos de 3 anos.”

Autor: LEON FERRARI

Fonte: pressreader.com/O Estado de S. Paulo