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Anvisa quer vacina para entrada no Brasil, e Bolsonaro resiste

25/11/2021 08h33
Agência defende que só pessoas imunizadas cruzem a fronteira por terra; presidente Bolsonaro resiste à medida
Anvisa quer vacina para entrada no Brasil, e Bolsonaro resiste

brasília A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) propôs que o governo federal cobre o certificado de vacinação contra a Covid-19 como forma de liberar a entrada de viajantes no Brasil.

A medida valeria para permitir a imigração por terra. Hoje as fronteiras estão fechadas, com algumas exceções.

Mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que distorce dados sobre segurança e eficácia dos imunizantes, quer apenas abrir as fronteiras, sem cobrar o “passaporte da vacina”, segundo integrantes do governo.

A Anvisa enviou parecer ao Palácio do Planalto no último dia 12, após ser questionada sobre a ideia de Bolsonaro, mas não recebeu resposta.

Segundo relatos de integrantes do governo, a agência também sugere endurecer as regras para voos internacionais. A ideia é que viajantes façam quarentena de cinco dias, mesmo se apresentarem teste RT-PCR negativo para o novo coronavírus.

A quarentena seria dispensada para quem estiver vacinado contra a Covid.

Hoje o governo cobra a apresentação do teste RT-PCR, mas não exige quarentena, apesar de a Anvisa sugerir esta medida há meses.

Bolsonaro disse nesta quarta-feira (24) que prefere abrir as fronteiras, mas não manda nas decisões da agência reguladora. Ele afirmou que conversou com o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, sobre o tema.

“Na minha parte, não decido, não mando na Anvisa, [mas] a gente não teria fronteira fechada”, disse Bolsonaro. “Tem a questão da economia, turismo, um montão de coisas. E o vírus, já falei para vocês, tem de conviver com ele”, afirmou ainda.

A ideia da Anvisa é evitar que o aumento de casos da Covid-19 registrado na Europa, entre outros locais, também ocorra no Brasil. A agência também quer impedir que o país vire atrativo para turistas não vacinados.

Já as regras para entrada no Brasil pelo mar são mais específicas e ainda não há permissão para transporte de passageiros de outros países. O governo deu aval apenas para cruzeiros internos.

Desde dezembro de 2020 o Brasil cobra a apresentação de exame RT-PCR para quem entra no Brasil por voos internacionais. A agência chegou a propor quarentena de 14 dias a todos estes viajantes, depois de cinco dias, mas o governo vetou.

As regras sobre a entrada no Brasil durante a pandemia são definidas por portarias assinadas pelos ministros da Casa Civil, Saúde e Justiça, com base em pareceres da Anvisa, ainda que recomendações da agência, como de imposição de quarentena, tenham sido ignoradas até agora.

A portaria mais recente é de outubro e o governo abriu nova discussão sobre o tema para avaliar a liberação das fronteiras.

A Anvisa tem recebido alertas de especialistas sobre o risco de aumento de casos da Covid-19 no Brasil. Além disso, gestores do SUS pediram para a agência sugerir a adoção do “passaporte da vacina” a viajantes, especialmente no período das festas de fim de ano e Carnaval.

Procurada, a agência disse que não decide sobre as regras de entrada no Brasil, o que cabe aos ministérios. A agência não confirmou nem negou que pediu a adoção do “passaporte da vacina”.

O Ministério da Saúde disse apenas que “os critérios para a entrada de estrangeiros ou brasileiros vindos do exterior ao país são elaborados de forma integrada e interministerial, visando sempre a segurança e o bem-estar da população brasileira.” A Casa Civil não se manifestou.

Agência aprova dose de reforço em bula de vacina da Pfizer Raquel Lopes

BRASÍLIA A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou um pedido da Pfizer para que a terceira dose da vacina contra Covid possa constar na bula do produto.

Até então, constava na bula duas doses. Dessa forma, fica aprovada uma dose de reforço administrada pelo menos 6 meses após a imunização primária completa em indivíduos a partir de 18 anos.

A aprovação é para a vacinação homóloga, ou seja, aplicação de dose de reforço em pessoas que já receberam as duas doses iniciais da Comirnaty, nome comercial do imunizante americano.

Gustavo Mendes, medicamentos da Anv isa, informou que ser iauma aprovação condicional, tendo em vis taque o laboratório aindamais dados sobre eficácia, imunogenicidade e segurança da dose de reforço. Além de encaminhar o plano de gerenciamento de risco com inclusão dado sede reforço.

O estudo clínico apresentado para subsidiar as alegações de eficácia e segurança da aplicação dedo sede reforço contaram coma participação de voluntários brasileiros. O protocolo foi aprovado pela Anvisa em 18 de junho de 2021.

A análise de colocar em bula uma dose de reforço da AstraZeneca e Janssen ainda está sendo realizada pela agência. O Instituto Butantan não solicitou análise para a Anvisa sobre a aplicação de uma dose de reforço da Coronavac.

A diretoria colegiada da Anvisa aprovou a orientação de que ado sede reforço seja preferencialmente aplicada com modelo igual ao usado no ciclo básico nos casos da Pfizer, Janssen e AstraZeneca.

Autor: Mateus Vargas

Fonte: pressreader.com/Folha de S.Paulo