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Profissão Repórter mostra como o uso de câmeras pode diminuir as mortes provocadas por policiais

22/09/2021 07h42
Nossos repórteres acompanharam os registros de violência policial em três cidades do Brasil: São Paulo, Salvador e São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
Profissão Repórter mostra como o uso de câmeras pode diminuir as mortes provocadas por policiais

Profissão Repórter desta terça-feira (21) mostrou a violência policial em três grandes cidades do país: São PauloSalvador e São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

O repórter Caco Barcellos registrou a violência contra os moradores do Salgueiro, onde moram 250 mil pessoas distribuídas num complexo de 8 comunidades em São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio de Janeiro.

A operação policial conhecida como "Tróia" foi muito combatida pela juíza Patrícia Acioli. Ela foi assassinada depois de ter decretado a prisão de 66 policiais militares do Sétimo Batalhão de São Gonçalo envolvidos nas "Tróias" contra a comunidade.

Dez anos depois da execução da juíza, as mortes cometidas durante as operações do Sétimo Batalhão aumentaram nove vezes. Foram 1089 mortes desde a emboscada que matou a juíza com 21 tiros dentro do carro, ao chegar em casa.

O repórter Pedro Borges acompanhou por quatro dias o carro do Instituto Médico Legal para retratar as vítimas da violência em Salvador. Logo no segundo dia, o repórter conheceu a mãe, irmã e companheira de homens que morreram numa operação policial no bairro de Cidade Nova.

A Bahia registrou um aumento de 47% no índice de letalidade policial. Saltou de 773 mortes, em 2019, para 1137, em 2020, o que fez o estado ultrapassar em números absolutos de São Paulo, o estado mais populoso, e se aproximar do Rio de Janeiro, estado com a polícia mais letal do país. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também indicam que 100% das vítimas de violência policial em Salvador eram de homens negros.

A Bahia é um dos estados que planejam adotar o uso de câmeras na farda dos policiais para monitorar o trabalho dos agentes de segurança.

Em São Paulo, a Polícia Militar criou um projeto para tentar reduzir o número de pessoas mortas por PMs em serviço. Três mil câmeras corporais portáteis, que gravam sem parar e não podem ser desligadas, foram instaladas nas fardas de policiais de 18 batalhões do estado.

Em junho, primeiro mês do projeto Olho Vivo, os policiais desses batalhões não mataram ninguém. A letalidade da Polícia Militar caiu a níveis históricos, mas as denúncias de execuções em outras áreas continuaram. A reportagem de Guilherme Belarmino investiga essas mortes, tanto em situações em que os policiais usam câmeras como nos batalhões que ainda não implantaram a tecnologia.

A madrugada de 5 de julho foi marcante para o projeto Olho Vivo porque policiais de um batalhão com câmeras mataram pela primeira vez. Em uma perseguição após um roubo a residência, Victor Manuel Evangelista, de 20 anos, levou um tiro de fuzil de um sargento do 22° Batalhão, que atua em Paraisópolis, capital paulista.

Autor: Profissão Repórter

Fonte: g1.globo.com