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Procon vai multar Extra por discriminação e método vexatório de cobrança após entrega de bandeja sem carne em unidades de SP

19/10/2021 17h01
Procedimento foi adotado em loja do Jardim Ângela e do Cambuci. Alimento era entregue somente após pagamento. Rede de supermercados disse ter tomado 'providências para que a prática fosse imediatamente descontinuada'. Segundo diretor do Procon, multa pode chegar a R$ 10,9 milhões.
Procon vai multar Extra por discriminação e método vexatório de cobrança após entrega de bandeja sem carne em unidades de SP

O Procon disse nesta terça-feira (19) que irá multar a rede de supermercado Extra por discriminação e método vexatório de cobrança. A medida será aplicada após uma cliente do Extra do Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo, denunciar nas redes sociais que o mercado entrega bandejas vazias de carne até que o valor do produto seja pago no caixa.

Na segunda (18), a reportagem do g1 verificou que a prática também ocorreu na unidade do Cambuci, na região central. Funcionárias das duas unidades disseram que a estratégia é usada para evitar roubos.

 

Em nota, o Extra admitiu a 'falha de procedimento' e disse que prática será suspensa.

Segundo o diretor do Procon, Fernando Capez, se for comprovado que a prática era adotada por unidades de determinados bairros, a autuação poderá ser feita com base no faturamento global e chegar a R$ 10,9 milhões.

"Vai ser apurado e pode ser que a multa seja aplicada com base no faturamento global, e a empresa que vá se defender depois", disse Capez ao g1 por telefone.

"É inaceitável critérios de discriminação, em razão do local ou porque qualquer outro critério. Se em outros estabelecimentos, em outros bairros, não existe esse tipo de exigência, não se justifica que a população do Jardim Ângela seja submetida a um vexame", disse o diretor em um vídeo divulgado pelo Procon nesta terça.

Caso tenha sido uma determinação do gerente da unidade, o valor será aplicado com base no faturamento da loja.

Nas unidades Brigadeiro Luís Antônio, na Bela Vista, e na unidade Jardim Cocaia, em Guarulhos, o procedimento não foi adotado nesta segunda (18). Os clientes receberam a carne no açougue da loja normalmente.

Em nota, a empresa admitiu que a prática não é pontual, mas declarou que não "não faz parte de sua política de atendimento" e que se trata de "uma falha de procedimento". O Extra declarou ainda que toda a rede "tomou providências para que a prática fosse imediatamente descontinuada".

 

"Achávamos que era uma loja e, não sendo, estamos fazendo o que é possível internamente para que isso não aconteça mais e para que sigam o procedimento padrão", declarou a assessoria de imprensa do Extra, por telefone.

Unidades entregam bandeja ou etiqueta

 

Cliente do Extra do Jardim Ângela, na Zona Sul de São Paulo, a ativista Fabiana Ivo denunciou a prática nas redes sociais na última quinta-feira (14). No seu caso, a situação ocorreu durante uma compra de carne bovina no açougue da loja.

Após escolher o produto e vê-lo ser pesado, a ativista recebeu uma bandeja vazia com o código de barras. Ela foi informada de que a carne poderia ser retirada somente após o pagamento no caixa.

Roberto de Oliveira, outro cliente do supermercado, disse ao g1 que também já passou por essa situação na mesma unidade Jardim Ângela.

 

"Tem tanta coisa bizarra aqui que a gente vai, infelizmente, se acostumando com certos absurdos. Tem violências como essas que vão se impondo e que nem conseguimos debater", disse.

Açougue do Extra Jardim Cocaia, em Guarulhos, entrega normalmente carne a cliente, à esquerda; unidade do Jardim Ângela, na Zona Sul de SP, fornece carne apenas após o pagamento, à direita — Foto: Aldieres Batista/Arquivo pessoal e Reprodução/Facebook

Na sua denúncia, publicada nas redes sociais, Fabiana Ivo relatou que questionou a prática e que uma funcionária da loja disse que era para "evitar roubo".

 

"Isso é uma afronta a toda a população das quebradas, duvido que o mesmo aconteça no Extra do Morumbi", questionou a ativista, em publicação nas redes sociais.

Nesta segunda (18), o g1 esteve na unidade do Cambuci, na região central de São Paulo, e verificou uma tática similar. Ao solicitar meio quilo de fraldinha, o cliente só recebeu a etiqueta. Depois do pagamento da compra, a funcionária do caixa foi buscar a carne no açougue.

Uma funcionária da unidade disse que a prática ocorre porque as pessoas pesam a carne e desistem de comprar, e também para evitar roubos.

Nas redes sociais, clientes dos mercados Extra dos bairros Piraporinha, Avenida Cupecê, Cohab 2 e Belezinho, além de unidades em Santo André e Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, também relataram o procedimento de entrega de bandejas vazias ou de etiquetas.

Já na unidade da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na Zona Sul, a prática não foi adotada nesta segunda. Os clientes receberam a carne direto no açougue da loja e puderem levar o produto até o caixa ou continuar suas compras normalmente.

Unidade do Supermercado Extra na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, na Bela Vista, região central de São Paulo, nesta segunda (18) — Foto: Patrícia Figueiredo/g1 SP

Em Guarulhos, no Extra Jardim Cocaia, os clientes também receberam a carne direto no açougue nesta segunda-feira (18). Não foi necessário aguardar o pagamento para ter o produto em mãos.

O g1 pediu novo posicionamento ao Extra para saber por qual motivo e desde quando ocorre essa discrepância entre unidades.

A empresa não respondeu a esses questionamentos, mas reiterou que a situação decorre de uma "falha de procedimento" e que "a rede tomou providências para que a prática fosse imediatamente descontinuada".

Pesquisa Datafolha divulgada em 20 de setembro pelo jornal "Folha de S.Paulo" aponta que 85% dos brasileiros reduziram o consumo de alimentos desde o início do ano, com destaque para carne de boi, arroz, feijão, frutas, legumes e pão. O ovo, ao contrário, ganhou espaço nos lares do país como substituto da proteína, segundo o levantamento, realizado entre 13 e 15 de setembro.

Autor:

Fonte: g1.globo.com