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Pai, mãe e filho trabalham juntos como corretores de imóveis e garantem que não há competição por clientes

27/08/2018 03h45
Eles tinham outras carreiras, mas mudaram de ramo para buscar independência financeira e novos desafios. Número de profissionais cresceu 10% em relação a 2017 em Goiás.
Pai, mãe e filho trabalham juntos como corretores de imóveis e garantem que não há competição por clientes

Uma família de Goiânia tem se dedicado ao ramo de corretores de imóveis e garante que não há rivalidade ou competição entre eles por clientes. Pai, mãe e filho tinham outras carreiras antes de decidirem fazer a mudança em busca de independência financeira e novos desafios. O Dia Nacional do Corretor de Imóveis é comemorado nesta segunda-feira (27) e, segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), o número de profissionais aumento 10% em relação a 2017 em Goiás.

Marcos Abrão, de 24 anos, é o corretor mais novo dentro da família. Com apenas oito meses de trabalho, já fez suas primeiras vendas e espera crescer ainda mais no mercado. O jovem trabalhou por oito anos como gesseiro, mas decidiu mudar de ramo.

“Meus pais são corretores e eu via o desempenho deles nas vendas. E como gesseiro, eu também ganhava dependendo da minha produção, mas com o passar dos anos, por ser um trabalho muito pesado, esse rendimento tenderia a diminuir”, contou o jovem.

Como corretor, seu salário é decorrente das comissões que ganha em cada venda e depende do seu desempenho. Em um dos lançamentos no qual trabalhou, vendeu três apartamentos. “Ainda estou no começo, a renda ainda não é a mesma que eu tinha antes, mas o cenário ainda vai melhorar”, disse, confiante.

Pais orgulhosos

Os pais olham com orgulho para o filho que está seguindo os passos deles. Edgar Pinheiro, de 50 anos trabalha há quatro como corretor. Formado em administração de empresas, deixou 25 anos de trabalho em uma empresa de autopeças para entrar no setor imobiliário.

“Fui em busca de novos desafios, aprender mais coisas e da independência financeira. Além disso, é uma profissão abrangente, porque mexe com tecnologia, comunicação, tem que saber de leis, economia, arquitetura. Você acaba tento uma noção geral de tudo”, explicou.
Edgar conta ainda que tomou a decisão de mudar de carreira inspirado por sua esposa, Gleice Rodrigues, há oito anos no mercado. Diante disso, ela conta que em alguns momentos as conversas sobre trabalho dominam todos os ambientes da família.

“Nem em casa a gente parava de falar. Tem dia que tem que parar e dar um basta, porque ia dormir fazendo conta. Então, uma hora a gente falou para dar um tempo e aproveitar o momento quando se está em casa, perguntar sobre a vida do outro como pessoa, não como corretor”, contou Gleice.

Além disso, ela explicou que todos trabalham juntos na família para agradar o cliente. “Eu sou mais do tipo que gosta de conversar com o cliente, saber de onde ele veio, que tipo de imóvel ele quer. Se ele quer algo específico, posso passar para o meu marido, por exemplo, que é mais especializado em condomínios verticais”, disse.

Em conjunto, listam que as vantagens da profissão são a possiblidade de bons ganhos dependendo do seu desempenho e que permite uma visão ampla de várias áreas. Porém, é preciso ficar atento, pois exige foco, determinação e atitude dos profissionais, já que não há uma garantia de renda fixa e segura.

Crescimento no mercado
Com o aumento no número de vendas de imóveis em Goiás, muitas pessoas, principalmente jovens, estão entrando no setor. A grande expectativa de bons rendimentos é um dos fatores que mais motiva os novos profissionais.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis, Oscar Hugo Monteiro Guimarães, aponta que este ano, cerca de 1,6 mil novos corretores estão em atividade. Em Goiás, existem 28 mil profissionais cadastrados e destes, 17 mil estão ativos.

“Isso é devido ao mercado mais ativo desde o último ano. As construtoras estão voltando a ter lançamentos, então as pessoas vão se interessando mais pelo setor”, disse.

Um estudo feito pela Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) aponta que o número de imóveis vendidos na Grande Goiânia cresceu 46% no primeiro semestre desse ano. Além disso, o preço médio dos imóveis se manteve estável. Para a entidade, esse é o melhor momento para se comprar a casa própria

O setor imobiliário sempre se manteve ao longo dos anos. Já outras profissões, como engenheiros, teve em alta entre 2012 e 2016. Mas com a redução na construção civil, muitos passaram a ser corretores de imóveis, porque já tinham um conhecimento muito bom da área.

“Temos também muitos advogados, arquitetos, economistas que são corretores e que usam suas áreas de formação como uma vantagem na hora da venda”, completou.

Autor: Vitor Santana, G1 GO

Fonte: https://g1.globo.com